Síntese de Indicadores Sociais, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que em nove anos aumentou 30,6% o número de brasileiros inativos – são pessoas que não trabalham nem procuram emprego. O índice representa 51,1 milhões de trabalhadores em idade produtiva fora do mercado formal e confirma a Pesquisa Mensal de Emprego também do IBGE, que aponta para a queda do desemprego em níveis historicamente baixos – no mesmo período caiu de 8,7% para 6,4%.
É claro que durante esses anos o mercado de trabalho teve importantes mudanças. A quantidade de vagas aumentou, mas também passou-se a exigir maior qualificação dos trabalhadores. Uma das hipóteses é que o aumento da renda garantiu aos jovens permanecer por mais tempo estudando e se aperfeiçoando e, portanto, longe do mercado de trabalho. No entanto, o grupo com idade entre 16 e 24 anos são mais impactados pelo desemprego. A taxa de desocupados atingiu 14,8% no ano passado.
A economia em retração indica claramente que o mercado não tem sido capaz de absorver essa mão de obra. Portanto, as soluções apontam para programas de educação e qualificação desse grupo da população. Uma formação melhor certamente aumentará as chances de inserção no mercado. Importante também avaliar um outro dado: cresceu o peso dos programas de transferência de renda no orçamento das famílias. Entre o grupo que tem rendimento domiciliar per capita de até um quarto do salário mínimo, 37,5% da renda é oriunda de fontes públicas. Em 2004, esse índice era de 20,3%. Da mesma forma a renda do trabalho caiu de 73,6% para 57% no mesmo período.
A pesquisa mostra que parte das famílias ficou mais dependente dos programas sociais e que também não tem conseguido sair deles. Se os jovens continuam sem emprego e os outros membros da família não têm qualificação para buscar trabalhos melhores, dificilmente esse ciclo será encerrado.

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