Emprego cresce, mas perde ritmo em abril
Dados do Caged indicam desaceleração em meio a juros altos, consumo pressionado e incertezas externas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Dados do Caged indicam desaceleração em meio a juros altos, consumo pressionado e incertezas externas
Folha de Londrina 
O mercado de trabalho formal segue em expansão em abril, mas com sinais claros de perda de fôlego. Os dados do Caged de abril reforçam essa leitura: há geração de empregos, porém em ritmo mais moderado, tanto no cenário nacional quanto em recortes regionais como Londrina e o Paraná.
No município, a criação de 366 vagas, o menor saldo mensal do ano, mantém o acumulado positivo, sustentado principalmente pela construção civil e pelos serviços. Ainda assim, o enfraquecimento do comércio chama atenção e dialoga com um quadro mais amplo de consumo pressionado. Com renda comprometida e preços elevados, as famílias reduzem gastos, o que se reflete diretamente na atividade econômica e, por consequência, nas contratações.
No Brasil, o movimento é semelhante. O saldo de empregos continua positivo no ano, mas já distante do observado em 2025. Trata-se de um mercado ainda resiliente, porém menos aquecido, em linha com um ambiente macroeconômico mais restritivo.
Entre os fatores que ajudam a explicar essa desaceleração está o patamar elevado dos juros, que encarece o crédito, desestimula investimentos e limita o consumo. A inflação, embora sob controle em termos gerais, ainda impacta o poder de compra, sobretudo em itens essenciais. No cenário externo, as incertezas persistem: conflitos internacionais e oscilações no preço do petróleo adicionam volatilidade e dificultam previsões mais otimistas.
Há, ainda, elementos no campo institucional que podem influenciar o mercado de trabalho nos próximos meses. A aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto que trata do fim da escala 6 por 1, que agora passará por análise no Senado, adiciona um novo componente ao debate. Independentemente do mérito da proposta, eventuais mudanças nas regras de jornada tendem a exigir adaptações por parte das empresas, com possíveis impactos sobre custos, produtividade e decisões de contratação.
O conjunto desses fatores sugere um segundo semestre que exigirá maior cautela. O emprego continua crescendo, mas o ritmo mais lento indica que o ciclo de expansão perdeu intensidade. A evolução daqui em diante dependerá, em grande medida, da trajetória dos juros, da recomposição do poder de compra e do grau de estabilidade no ambiente econômico, tanto interno quanto externo.
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