Empregabilidade, a palavra da moda
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de abril de 2005
Da Redação 
O consultor corporativo e especialista em comportamento organizacional Abraham Shapiro trabalha entre 16 e 18 horas todos os dias. Tem como linha predominante de ação o Humanismo, de um xará, Abraham Maslow. Realiza trabalhos em empresas de renome, entre elas: General Motors do Brasil (SP), Dell Computers Brasil (RS), Empório Guimarães (Londrina), Restaurante Villa Fontana (Londrina), Milênia Agro Ciências (Londrina e Taquari-RS), Águas Ouro Fino (Campo Largo-PR).
''Amo o que faço. Vida e trabalho, no meu caso, se confundem. Tenho a impressão de que é o que sei fazer melhor. Alguém já disse ser este o segredo do sucesso no trabalho. Se assim for, eu sou um homem feliz'', afirma Shapiro, que faz palestras por todo o País. Ele fala sobre vários temas, desde a Cabalá - Mística Judaica - até Liderança de Alto Desempenho. Dirige treinamentos empresariais e aconselhamento para executivos em Londrina, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Quando o assunto é ''Capital Humano'', o foco das palestras é fazer as pessoas perceberem que, até agora, a preocupação maior dos profissionais foi cumprir um protocolo iminentemente quantitativo em relação à carreira. Eles se sentem em uma competição. ''As grandes corporações não estão mais interessadas em pessoas competitivas. Perceberam que a competição interna emperra o fluxo de informações entre as pessoas e diminui a produtividade'', alerta Shapiro. ''Aqueles que têm na ascensão profissional seu maior objetivo e não param de olhar para o que o colega do lado produz estão perdendo espaço à medida que o mercado de trabalho evolui.''
Nesta entrevista à página Empregos & Concursos, da Folha de Londrina, Shapiro fala sobre empregabilidade, um palavra muito usada na atualidade, e como se preparar para ser um bom profissional.
Folha de Londrina - Uma palavra muito usada na atualidade é empregabilidade. O que isso significa?
Abraham Shapiro - A definição mais simples é a capacidade de conseguir um emprego e manter-se nele. No entanto há um sentido mais amplo a ser posto em prática. Empregabilidade é tudo o que cada pessoa deve e pode fazer para ser melhor profissional além do básico que é esperado de sua função.
Folha - Poderia dar alguns exemplos?
AS - Manter a forma física, o equilíbrio emocional, desenvolver a aprendizagem de novas maneiras de realizar cada tarefa, estudar, ler, rezar, oferecer-se como voluntário em uma obra assistencial, conhecer bem o próprio idioma são alguns exemplos daquilo que é imprescindível para aumentar os índices de empregabilidade de qualquer profissional.
Folha - O que você aconselha às pessoas que estão em dúvida sobre qual rumo seguir em sua vida profissional?
AS - Para estas pessoas e especialmente aos jovens, aqui vai minha fórmula: Isole-se em um lugar onde você não será interrompido. A sós com sua consciência, pegue um papel e escreva a resposta a duas perguntas. Primeira: O que você adora fazer na vida? A outra: O que melhor você sabe fazer? Após isso, persiga esta meta como sendo o seu ideal. Não é uma receita mágica, mas é lógica e infalível pelo simples fato de que fazer o que se gosta e o que se faz melhor é como estar em um lugar encantado, cheio de coisas boas, prazer e muito contentamento.
Folha - Quando se escolhe uma profissão, o que levar em conta?
AS - Grande parte das pessoas que compram uma Mercedes último modelo faz tal escolha pelo status que este carro traduz, não pelo conforto. Observe, agora, como os jovens escolhem uma profissão. Eles buscam auto preenchimento ou evidência social? Nada contra tais escolhas, mas uma profissão merece grande cuidado ao ser escolhida. Quantos médicos, economistas, advogados, dentistas e engenheiros gostariam de ser cozinheiros, marceneiros, confeiteiros, alfaiates ou ourives? O problema está na falta de destaque destas profissões. Estão fora de moda. Mas poderiam significar maior realização pessoal. O mundo seria melhor para eles.
Folha - E aquelas pessoas que já fizeram sua escolha, mas estão se sentindo mal no trabalho, o que devem fazer?
AS - Para aqueles que não estão se sentindo em perfeita sintonia com o trabalho, minha dica é: procure um aconselhamento profissional. Cuide de fazer o que for possível para recobrar a motivação e encontrar realização. Tendo contentamento com o que faz, você será outra pessoa. Sua família, a empresa e o resto do mundo ficarão gratos.
Folha - Quais são as tendências de futuro para o emprego?
AS - O futuro do emprego será: pessoas se preocupando com pessoas, em todas as áreas. Tudo o mais estará condicionado a isso: capital, marca, etc. Estamos falando de boa e clara comunicação, cordialidade, alegria, bom trato, flexibilidade, enfim, virtudes que todos nós gostamos de encontrar nas pessoas que nos prestam quaisquer serviços.
Folha - As empresas já perceberam isso?
AS - Muitas empresas ainda não entenderam que as pessoas fazem toda a diferença. Aliás, sempre foi assim. Está nas mãos delas o sucesso ou a desgraça de uma marca, dos serviços e dos produtos, por mais recursos que invistam em publicidade e divulgação. As pessoas que souberem desempenhar algum papel profissional específico e somarem a isso o desenvolvimento de seus conhecimentos sobre gente, terão um grande sucesso.
Folha - O aprimoramento é primoridal?
AS - Estudar é o caminho, o único meio plausível para alcançar o sucesso na era do conhecimento. Não estou falando só de ir à escola e conseguir diplomas. Estudar é ler, conhecer, aprender, informar-se e mudar o comportamento a partir disso.


