Se é em período de crise que a oportunidade aparece, os brasileiros estão sabendo aproveitar bem o momento. No primeiro semestre deste ano a criação de novos empreendimentos aumentou 4,9% com relação ao mesmo período de 2014 conforme aponta o Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas. Ao todo foram 990,9 mil registros. A explicação óbvia para esse comportamento é o crescimento do desemprego ou a necessidade de se obter uma segunda renda.
De acordo com o Serasa apenas os registros de microempreendedores individuais (MEIs) registraram aumento no período, o que comprova a observação do empreendedorismo por necessidade. Importante ressaltar que os indicadores que medem a abertura e o fechamento de postos de trabalho foram os últimos a se deteriorarem. Primeiro foi o aumento da inflação, depois os reajustes das tarifas controladas (energia elétrica, água, combustível, entre outras), o realinhamento da taxa de juros e o aumento da cotação do dólar. Somado a tudo isso ainda há a crise política enfrentada pelo governo federal e a crise de confiança por parte do empresariado e dos consumidores.
Se em muitos casos abrir um negócio próprio parece ser uma das poucas opções para um trabalhador que perdeu seu emprego e está com dificuldades de recolocação no mercado, vale lembrar que a abertura de uma empresa deve ser seguida por uma série de estudos, pesquisas e planejamento. Tanto que grande parte das micros e pequenas empresas morrem no primeiro ano de vida.
Os brasileiros são um povo bastante criativo e com veia empreendedora. E, por isso, seria interessante que as escolas e universidades adotassem o tema como disciplina. Noções de empreendedorismo, legislação e planejamento ajudariam essas pessoas futuramente e certamente contribuiriam para a redução das taxas de mortalidade de empresas. Além disso, é preciso desburocratizar a gestão pública e estimular o setor produtivo.

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