Empreendedorismo, apesar da crise
Se em períodos de crise aparecem as oportunidades, os paranaenses têm seguido esse ditado à risca. Dados da Junta Comercial do Estado apontam que o número de empresas constituídas em março deste ano foi 17% maior do que o registrado no mesmo mês de 2014. Um índice surpreendente porque contraria indicadores macroeconômicos, como a queda no consumo das famílias brasileiras no primeiro trimestre deste ano, redução do Produto Interno Bruto, queda na produção industrial, alta da inflação, dos impostos e das tarifas controladas.
O Brasil é um país de empreendedores. Pesquisa da GEM (sigla em inglês para Monitor do Empreendedorismo Global) aponta que 34,5% da população adulta entre 18 e 64 anos tinham uma empresa ou estavam envolvidos na criação de um negócio no ano passado. É um dos maiores índices do mundo, à frente da China (26,7%), dos Estados Unidos (20%), do Reino Unido (17%), entre outros países. Os dados reafirmam a capacidade dos brasileiros de levar suas ideias adiante e de promover investimentos, mesmo em um cenário adverso.
Ainda que o empreendedorismo aflore a partir da necessidade, devido a perda de emprego ou mesmo por necessidade de aumentar a renda familiar, o dado é relevante. No entanto, deve-se acrescentar que mesmo boas ideias precisam de planejamento e de estudos conjunturais para evitar a mortalidade precoce do negócio. É importante identificar setores com potencial mais sólido de desenvolvimento.
O ideal seria que os brasileiros tivessem lições de empreendedorismo. O tema, juntamente com a educação financeira, precisa ser recorrente em escolas e universidades. A criatividade e esse potencial em transformar ideias em negócios precisam ser melhores aproveitados até mesmo para ajudar no crescimento e para manter a economia em um ciclo virtuoso e sustentável. Os brasileiros estão acostumados a buscar seus objetivos, mas é preciso investir também em profissionalização.





