Empenho político para salvar o campo
Quando a agricultura vai bem, as cidades vivem melhor; o comércio de todo o interior tem liquidez, a oferta de empregos também aumenta, enfim o giro do dinheiro que oxigena a economia garante a estabilidade social. Mas, quando a agricultura vai mal a miséria se manifesta no campo e na cidade. O pequeno comércio chega a fechar as portas; em alguns casos não reabre mais. O Paraná vive este momento difícil, pelo menos nas regiões afetadas pela seca. Ontem, as duas maiores lideranças do agronegócio fizeram um apelo de ajuda aos municípios. Ágide Meneguette, presidente da FAEP, e João Paulo Koslovski, presidente da OCEPAR, estão conclamando os prefeitos do Paraná a se mobilizarem politicamente em defesa dos produtores de seus municípios. O motivo são os prejuízos causados pela estiagem dos últimos meses. Os dirigentes querem que os prefeitos intercedam junto ao Presidente da República e ministros da área econômica. Os presidentes das duas entidades mais representativas da agropecuária lembram que milhares de agricultores estão com suas atividades inviabilizadas, devido à falta de recursos para quitar dívidas junto aos bancos, cooperativas e fornecedores. Não bastassem as conseqüências da seca, com perdas no Paraná estimadas em 5,2 milhões de toneladas (R$ 2,33 bilhões), ainda falta financiamento para custeio e investimentos. No documento encaminhado às prefeituras são apontados outros problemas como a forte retração do mercado, que derrubou os preços recebidos pelos produtores, enquanto o custo de produção aumentou 25%. Como medidas de socorro a agricultura precisa de crédito emergencial na modalidade de capital de giro para produtores e cooperativas com recursos de crédito e poupança rural e renegociação das dívidas. Na verdade a agricultura só perdeu nos últimos anos. Além de ficar sem instrumentos de apoio como a política de garantia de preços, por exemplo, através de AGF e EGF, ainda foi penalizada com enorme carga tributária. Sabe o governo que a agricultura na dianteira do complexo do chamado agronegócio é o setor melhor distribuidor de renda; é o que dá respostas mais rápidas a investimentos. Apesar disso, é o setor mais penalizado por políticas equivocadas, permeadas por questões partidárias. No entanto, a agricultura é progresso e bem-estar social; a boa distribuição de renda do setor primário tanto se expressa no empório da esquina como na loja de luxo do shopping da cidade grande. Este é um bom motivo para despertar o municipalismo.





