Raiva, ciúme, inveja. Alegria, satisfação. Sentimentos, bons ou ruins, certamente influenciam na vida e na saúde. Muitas doenças são atribuídas à mágoa ou rancor que guardamos das pessoas.

Mas, o que fazer? Esperar a raiva passar e deixar para conversar depois? Explodir na hora? Como chegar ao equilíbrio? A psicóloga Camila Harumi Sudo discute nesta entrevista sobre as emoções e a saúde.

Realmente as emoções influenciam nossas vidas tanto quanto as pessoas dizem?
Sim. A emoção mexe com o corpo e predispõe o organismo a se comportar de uma certa forma, de acordo com o histórico de vida de cada um. Há também o componente cultural, aprendemos na nossa sociedade que determinadas emoções requerem do indivíduo determinadas atitudes.

As pessoas pensam mais nos efeitos negativos da emoção. E o efeito positivo?
Geralmente nós nos incomodamos quando essa emoção causa mal estar. Se ficamos ansiosos quando vamos fazer uma viagem, não damos tanta importância para isso como se tivéssemos que dar uma palestra, por exemplo.

Fala-se muito sobre como a reação de uma pessoa pode influenciar em seu tratamento, no caso de uma doença. Ser feliz ajuda mesmo?
Com certeza. Porque uma faz isso e outra não, é aprendido, tem a ver com a história de vida de cada um. Alguns estudos do comportamento dizem que até a célula aprende a se comportar. Se uma pessoa olha para uma situação de doença e se entrega, ela não faz o tratamento corretamente, não busca relacionamentos positivos, não cuida inclusive da saúde física de forma correta.

Dizer que só o pensamento positivo é um benefício para o tratamento, pode ser um equívoco. Pesquisas mostram que a pessoa mais otimista tem uma saúde melhor não só porque pensa positivamente, mas porque ela se engaja em atitudes e comportamentos que favorecem o tratamento da saúde.

Esse senso de que as emoções sempre trazem doenças é verdade? Ou depende do caso?
Pensando no que falamos agora, pode ser que sim. Mas temos que ter cuidado, uma pessoa muito ansiosa pode adoecer porque desgasta muito mais seu organismo. Um organismo cansado é um organismo debilitado e mais suscetível a doenças. Por outro lado temos que considerar também que uma pessoa constantemente irritada, nervosa, tende a ter prejuízo nos relacionamentos, não se cuida, aí fica mais nervosa ainda, vira o que chamamos de bola de neve. Sentir raiva, ser ansioso, ser deprimido só, não faz com que a pessoa adoeça.

Existem algumas reações que são incontroláveis. Podemos dizer que o certo é não negar o que sentimos, mas sabermos trabalhar com essas sensações?
Exatamente, o ser humano nasce com o organismo preparado para sentir ódio, raiva, tristeza, alegria, medo. Em determinadas situações esse organismo se prepara para isso, mas em uma situação que não precisa. E é onde acabamos desgastando o organismo à toa. Não temos que controlar as emoções, o sentimento acontece, temos que achar equilíbrio do que fazer com ele. Uma coisa é alguém te criticar, te ofender e você sentir raiva. O problema é você sair brigando, colocar sua vida em risco, por causa desse sentimento.

Nosso maior desafio como ser humano é o autoconhecimento. Não adianta fazer de conta que não estou sentindo, o melhor é identificar o que isso me causa e o que eu faço com isso.

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