Embargo e prejuízos acumulados
Há anos que a pecuária paranaense tem acumulado prejuízos. No final de 2006, foram os focos de febre aftosa no Paraná, o que embargou as exportações e impediu o comércio de carne com outros Estados. Depois de recuperado o status sanitário, agora o embargo da Rússia imposto ao Brasil em junho do ano passado volta a provocar deficit.
Segundo dados do Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná (Sindicarne-PR), os prejuízos somam cerca de US$ 61 milhões com o embargo às carnes bovina, suína e de aves, equivalente a 1,365 milhão de toneladas que deixaram de ser comercializadas. Feita a conversão o valor chega a R$ 103 milhões. Ontem, foi criada uma frente técnica e política composta por integrantes dos governos federal e estadual, de entidades como Faep, Ocepar, Associação Brasileira dos Frigoríficos e do Porto de Paranaguá para tentar negociar a retomada das exportações. Embora válida, a decisão demorou a ocorrer. Ações como essa têm que ser mais ágeis, não sendo necessário acumular tantos prejuízos.
Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento mostram que, de 2006 a 2011 houve um incremento de pouco mais de 9% nas exportações de carne bovina. No entanto, no mesmo período o valor exportado aumentou 119%, atingindo US$ 52 milhões. Este é um fator positivo porque mostra que as indústrias conseguiram agregar valor ao produto, a partir da comercialização de cortes mais nobres.
As exportações de carne suína também dobraram enquanto o valor obtido cresceu mais de 200%. O crescimento se repetiu no comércio de carne de aves, que aumentou tanto em volume como em valor, saindo de US$ 867,3 milhões para US$ 1,87 bilhão. O Paraná é o Estado que mais exporta carne de frango do País; enquanto ocupa a décima posição no ranking do comércio de carne bovina e a terceira na carne suína.
Os números mostram que pecuaristas e indústria têm conseguido fazer a sua parte na criação e manejo corretos. No entanto, são afetados por ações de governo, oscilações de mercado e decisões políticas de outros países. É preciso garantir iniciativas que auxiliem no desenvolvimento da atividade, seja por meio de fiscalizações sanitárias, investimentos em estrutura e em negociações com compradores. Toda uma cadeia produtiva não pode ficar à mercê e ter que arcar com todos os prejuízos e responsabilidades.





