Em xeque eficácia do setor público
Um episódio aparentemente sem importância para outras cidades, de interesse apenas do município de Londrina, pode expor um problema nacional do setor público. O prefeito Barbosa Neto demitiu o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) por falta de dedicação. Pelo menos é o que deixa entrever ao alegar, em entrevista coletiva, que o secretário viajava muito e que teria se ausentado para participar de pescaria. Inusitado.
O que pode haver por trás da demissão do secretário, é irrelevante nesse momento, como o é tudo que ocorra às ocultas em bastidores de acordos políticos. A questão é que, na sua versão oficial, a exoneração se justifica pela negligência, para resumir em uma palavra. Porém, falta de eficiência nos postos de mando do setor público não é privilégio de Londrina.
Sem querer, o prefeito provoca um debate amplo em torno da qualidade dos agentes do serviço público. O fato de a imprensa resumir o episódio no título ''Mato e pescaria derrubam Nelson Brandão da CMTU'', como cunhou nesta FOLHA, o repórter Wilhan Santin, pode desencadear um processo de cobrança e avaliação dos serviços que se presta hoje ao contribuinte.
Generalizar é injusto aos que se dedicam e que são muitos, com certeza a grande maioria. Mas o serviço público no Brasil poderia ser melhor. Basta observar o que ocorre na Saúde e Educação. Há repartições acometidas pelo vírus que transmite uma patologia crônica: a ergofobia. Ela contamina as pessoas suscetíveis que passam a ter aversão patológica ao trabalho.
Exemplos existem em profusão. Há repartições que não resistem a um feriado no meio da semana que já ''emenda'' com o sábado e domingo. Alguém contesta? Um exemplo recente: na Sexta-Feira Santa houve repartições que suspenderam seus trabalhos na quarta, antevéspera. Os folgados chefes desses órgãos e seus subordinados só voltaram ao trabalho na segunda-feira. Quem os autorizou deveria ser responsabilizado.





