Em tempo de energias limpas petróleo é vilão
O Brasil não deve cessar as perfurações em busca de mais petróleo e nem detonar um projeto como o pré-sal - embora a euforia por essa exploração tenha no momento conotação político-eleitoral. Mas em tempo de opções por energias limpas, o bom e velho petróleo converte-se em vilão, porque altamente poluidor quando passa a servir aos motores de combustão. Existe portanto uma certa contradição brasileira ao incentivar os programas de bioenergia e ao mesmo tempo focar-se em mais extração de petróleo, ainda mais de alta profundidade debaixo das águas oceânicas e a custo elevadíssimo.
Os governantes, nesse embalo pelo entusiasmo ante tantas reservas de petróleo em território pátrio, também atiram no escuro, como fez agora o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, ao anunciar (e a seguir ter de dar um recuo) o estudo para a produção de automóveis de passeio movidos a óleo diesel.
Porque esse combustível, apesar de mais barato, é mais poluente que a gasolina e o álcool e imediatamente os ambientalistas se manifestaram. Foi então que o ministro amenizou o discurso, o que revelou prudência, porém mais uma vez gente do Governo diz e faz coisas sem, às vezes, muito pensar. Se fazem isso com palavras e projetos, também fazem com obras que logo se mostram ou inservíveis, ou muito caras, ou adiáveis. Assim ocorre também com a projetada compra de aviões de caça franceses - porque o modelo oferecido pode não ser o melhor (já que ninguém de fora o comprou) e há também outros fornecedores, a preços mais vantajosos e, eventualmente, oferendo modelos melhores melhores. Mas foram necessárias as críticas para o Governo anunciar que nada ainda está acertado a respeito. Outra informação apressada foi o presidente Lula declarar que as três dezenas desses jatos (não adquiridos mas na listagem de compra, sejam estes tipos franceses ou outros) seriam para policiar a área do pré-sal. Nada mais ridículo, porque ninguém vai roubar petróleo na calada da noite. Depois que críticos acenaram que melhor seria um tal policiamento de proteção à floresta amazônica e às suas riquezas, o Governo não mais tocou no assunto.
No caso do diesel nos automóveis, o ministro e ambientalista Carlos Minc, do Meio Ambiente, figurou entre os que reagiram contra, e isto demonstrou inclusive um descompasso entre figuras exponenciais do sistema governamental. Falta unidade, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer ser o mandante de tudo (só ouvindo alguns poucos eleitos) e assim dispersa seu grupo. Diz a sabedoria popular que em boca fechada não entra mosca. Por isso o próprio governante supremo e seus ministros deveriam pensar melhor antes de esparramar palavras ao vento.





