A operação do ILS no Aeroporto Governador José Richa começa a produzir um efeito que Londrina aguardou por mais de duas décadas: a previsibilidade, um trunfo que reposiciona a cidade no mapa da competitividade regional.

Reduzir cancelamentos e atrasos em dias de chuva ou neblina não é apenas uma melhoria operacional. É um fator que impacta diretamente decisões de investimento, logística empresarial e mobilidade de profissionais. Empresas que dependem de deslocamentos rápidos, como executivos, fornecedores e clientes, passam a enxergar menor risco em operar a partir de Londrina. Em um ambiente econômico em que tempo e confiabilidade pesam tanto quanto custo, isso tem valor concreto.

O histórico recente do aeroporto ajuda a dimensionar essa mudança. A queda de 12,38% na movimentação de passageiros no primeiro trimestre de 2026 expôs fragilidades: redução de voos, ajustes das companhias e perda de conectividade. Um aeroporto menos confiável tende a ser menos demandado; um aeroporto com menor demanda perde ainda mais voos. É um ciclo difícil de reverter.

O ILS atua nesse ponto crítico. Ao reduzir a incerteza climática, ele melhora a taxa de conclusão dos voos e, por consequência, a confiança das companhias aéreas e dos usuários. Ainda que não elimine totalmente as limitações, pois trata-se de um equipamento de categoria , já cumpre o papel de diminuir perdas e estabilizar a operação.

Esse avanço, que sempre foi uma das bandeiras da Folha de Londrina, ocorre em paralelo a um movimento relevante: a retomada de rotas e o aumento de frequências, ainda que gradual. A recomposição de voos para Curitiba e o reforço das ligações com Congonhas indicam que o mercado começa a reagir. Os efeitos ainda não apareceram integralmente nas estatísticas, mas a tendência é de recuperação ao longo dos próximos trimestres.

Há, portanto, uma convergência de fatores: melhoria de infraestrutura, articulação institucional e recomposição de oferta. Se mantido, esse conjunto pode interromper a trajetória de queda e recolocar Londrina em um patamar mais competitivo frente a cidades que disputam o mesmo espaço logístico e econômico.

Com a conquista, a mobilização segue. A discussão sobre a nova taxiway, que permitirá maior eficiência nas operações, mostra que ainda há gargalos. A ampliação da malha aérea também depende de continuidade na interlocução com as companhias e de um ambiente econômico favorável.

Londrina venceu uma etapa relevante. Agora, é preciso que a união entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada siga firme para novas conquistas.

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