Em recessão
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, medida da produção e da renda nacional), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, assustou o mercado. No terceiro trimestre, a economia nacional caiu 1,7% com relação ao segundo trimestre e 4,5% com relação ao mesmo período do ano passado. É o pior desempenho nessa base de comparação na série histórica, iniciada em 1996. Em 18 meses, a queda é de 5,8%.
Além disso, outros dados para comparação são preocupantes. Esta é a recessão mais longa desde o lançamento do Plano Real, em 1994, e até o final do ano será a mais intensa, uma vez que projeções indicam que ultrapassará a retração de 6% registrada entre 2008 e 2009. Comparando com outras economias, o resultado brasileiro só foi melhor do que o registrado na Rússia e Ucrânia, países envolvidos em conflitos armados, e na Venezuela.
A crise econômica teve início no ano passado, mas seus efeitos foram intensificados neste ano. Inflação e juros em alta e aumento do desemprego contribuíram para o resultado atingido agora. Outro agravante importante é a crise política que o País enfrenta: em clima de total insegurança investidores seguram investimentos e consumidores reduzem o consumo. E o pior: a crise em Brasília está longe de acabar e pode provocar efeitos danosos por muito tempo.
Portanto, a saída da crise não está próxima. Pelo contrário, as causas da recessão permaneceram inalteradas ou até se agravaram nos últimos meses. O ajuste fiscal ainda não foi aprovado, o governo federal praticamente não reduziu custos e a inflação não para de subir. Em um cenário como esse, não há como prever qualquer sinal de melhora. Portanto, é urgente que a população cobre medidas mais efetivas e que contibuem para a recuperação da economia. Ainda que o brasileiro esteja vivenciando uma crise ética, não se pode afastar totalmente da vida pública.





