Em Londrina, lanterninhas estão fora de cartaz
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sábado, 21 de abril de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Embora os problemas na platéia sejam os mesmos, as soluções, em Londrina, passam longe das mãos dos lanterninhas, uma função aparentemente em extinção. Nas salas de cinema abrigadas no Catuaí Shopping, por exemplo, cabe aos seguranças orientar e observar o movimento durante a sessão. ''O pessoal da projeção também colabora, está sempre atento'', comenta Simone Crestani, gerente do Multiplex Catuaí.
Entre os episódios em que os seguranças atacaram de bedel, a gerente cita exemplo dos mais hilários. ''Certa vez, havia um grupo tirando fotos dentro da sala de exibição. Como é proibido, o segurança foi ao encontro da turma, a fim de orientar. Antes de chegar, já era alvo dos flashes da máquina, sendo também fotografado''.
Para quem pensa que casais enamorados, pés sobre a poltrona ou arremesso de pipoca lideram a lista de incidências, ledo engano. O maior ''vilão'' das salas são os aparelhos celulares. ''Sempre tem aquele que entra com o celular ligado e, de repente, recebe a chamada do amigo que está do lado de fora'', conta Simone. ''Há aqueles que saem da sala e há os que atendem e falam baixinho, atrapalhando quem está acomodado nas poltronas vizinhas''.
Quando a bagunça extrapola limites, a orientação dada aos seguranças é tipicamente aquela reservada tempos atrás aos lanterninhas. ''Eles conversam, advertem e, se observam que a situação requer maior atenção, sentam ao lado dos engraçadinhos, que geralmente vêm em turma'', finaliza.
Recém-chegada dos Estados Unidos, onde esteve em intercâmbio por quatro meses, a estudante de arquitetura Thaísa Bohrer, cinéfila assumida, afirma não ter visto seguranças ou lanterninhas nas salas norte-americanas. ''Aqui, o que mais me irrita é aquela luz do celular, de quando a pessoa está trocando mensagens em plena sessão. No exterior, o pessoal é conscientizado, não tem nem placas avisando sobre celulares, barulho, lixo.''
No Cine Com Tour, que oferece uma programação diferenciada do sistema comercial, o lanterninha também não tem vez. Responsável pela programação do espaço, Carlos Eduardo Lourenço Jorge argumenta: ''O público que vem assistir aos filmes em exibição no Com Tour é naturalmente elitizado, conscientizado. Até porque oferecemos uma programação que foge do sistema consumista regido pelas leis de consumo dos shoppings. Os frequentadores são pontuais, não temos problemas, o que torna dispensável a contratação de um lanterninha''.
Gerente do Arco-Íris Cinemas, no Royal Plaza Shopping, Alexandre de Camargo Celli atribui a fatores monetários a não-contratação de um lanterninha. ''Hoje, vivemos no mundo da redução de gastos, enxugando a folha de pagamentos''.
Nas salas do Royal, o pessoal da portaria e da segurança também faz as vezes de lanterninha. ''Eles ficam de olho para ver se não há alguém com os pés sobre a poltrona, zelam pela paz da sessão. No geral, não temos problemas''.


