O londrinense parece ter se reencontrado com uma das formas mais básicas de demonstração da vontade popular: as manifestações. Reportagem publicada segunda-feira nesta FOLHA mostra que a cidade está vivendo uma ''onda de protestos'' - foram registrados pelo menos nove nos meses de fevereiro e março deste ano, a maioria envolvendo problemas na saúde e na infraestrutura.
O professor de Ética e Filosofia Política da UEL, Elve Censi, analisou o fenômeno social: ''É um momento em que a sociedade, de certa forma cansada, sai à rua para pedir melhorias nos serviços''. Segundo ele, no caso da saúde, por exemplo, a situação passou do limite aceitável. ''A percepção popular é de que agora (o setor) chegou ao fundo do poço.''
O sociólogo e cientista político Marco Rossi vê nessas manifestações um fundo eleitoreiro, pelas características dos protestos. ''O povo absorve esses momentos de crise. E o pessoal que está envolvido na política se aproveita para se beneficiar de alguma forma, até mesmo para uma possível candidatura.''
Ambos, no entanto, defendem a postura da população. A percepção de que os cidadãos precisam exigir a aplicação efetiva dos seus direitos é um grande passo para garantir o estado de direito. Para Elve Censi, a democracia não pode ser só uma formalidade, a obrigação não termina após o voto. ''O povo tem que participar ativamente, mesmo que seja indo para as ruas.''
A apatia política não é exclusividade londrinense. O brasileiro tem pouca tradição em exigir seus direitos; em pressionar os mandatários para que estes tomem decisões e atitudes que efetivamente beneficiem a coletividade. E, especialmente, na última década esta característica parece ter ficado ainda mais forte.
Pesquisas mostram que a população é consciente dos problemas que afligem a sociedade, mas espera que outra pessoa resolva. A passividade está instalada e a conta - por sinal, muito cara - é paga pela própria população.
Esperemos que essa onda de protestos, pacíficos, não seja apenas fogo de palha. Para uma sociedade funcionar, seus membros precisam ter voz ativa.

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