Não só no esporte como em outras atividades, segmentos afins da capital do Estado têm sido, em algumas ocasiões, rivais de coisas que florescem fora de seus domínios. Londrina teve de lutar para não perder o Festival de Música, que pessoas influentes da Secretaria de Cultura queriam, na época, tirar da cidade. No futebol, ao longo dos anos, casos de arbitragem fraudulenta muitas vezes prejudicaram times do interior, já por natureza mais fragéis. A rivalidade não é entre cidades mas opera no círculo de dirigentes setorizados, naturalmente com mais poder de influência estando na sede administrativa do Estado. O que ocorre no momento com relação à ginástica rítmica de conjunto é algo vinculado a essa política. Uma demonstração disso foi a dissolução, em 2004 – pela Confederação Brasileira de Ginástica, sediada em Curitiba – da Seleção Brasileira de Conjunto de Ginástica Rítmica, que tinha sede em Londrina – leia-se Universidade Norte do Paraná (Unopar) – e brilhava nas competições internacionais. Foi exatamente após as Olímpiadas de Atenas que tal ocorreu. Vicélia Florenzano, presidente da Confederação, tinha implicações com o fato de Londrina ser a referência nacional da modalidade. Agora trava-se uma justificada campanha, com a participação inclusive de políticos, para a reposição do que era antes e para que a seleção volte – e com sede em Londrina, onde encontra-se a mais bem instalada infra-estrutura no setor, tanto em treinadores quanto em equipamentos. Ninguém ganhou com a extinção da seleção de GR, mas ao contrário, o Paraná perdeu. Porque a Confederação mandou a modalidade para Joinville e Vitória, sem tradição na área. Os títulos conquistados pela seleção de GR da Unopar, de 1995 para cá, falam por si mesmos: 1º lugar no Campeonato Sul-Brasileiro (individual), em 1996, na Bolívia; 1º lugar no Campeonato Pan-americano de 1997, na Colômbia; 1º lugar nos Jogos Pan-americanos de 1999, em Winnipeg, Canadá; 1º lugar no Campeonato Pan-americano de 2001 em Cancun, no México; e 1º lugar nos Jogos Pan-americanos de 2003, em Santo Domingo; 2º lugar no Berlim Master, em 2003, na Alemanha; 3º lugar nos Jogos Pan-americanos de 1995, em Mar del Plata, Argentina; 3º lugar na Copa Quatro Continentes de 1997, em Sidney, Austrália; e 3º lugar no GP Internacional de 2002, em Iliana, Bulgária; 6º lugar na Copa Quatro Continentes de 1999, em Jacksonville, Estados Unidos; 8º lugar nos Jogos Olímpicos de 2000 em Sidney; 8º lugar no Campeonato Mundial de Ginástica de 2002, em Nova Orleans, EUA; e 8º lugar nas Olimpíadas de 2004, em Atenas; 9º lugar no Campeonato Mundial de Ginástica de 2003, em Budapeste, Hungria; 10º lugar no Torneio Internacional de GR de 2003, em Thiais, França; e 10º lugar no Campeonato Mundial de Ginástica de 1998, em Sevilha, Espanha. E mais: as seleções pré-infantil e infantil sagraram-se, em 2005, campeãs e tricampeãs brasileiras, respectivamente. Com as mudanças, foram mantidas a ginásitica artística e a equipe de ginastas individuais rítmicas, mas com sede em Curitiba. O objetivo de destronar Londrina foi claro. A protagonista desses atos acaba de ser afastada da presidência da Confederação, por denúncias de irregularidades de gestão, mas visa retornar. A Unopar – que já firmou tradição – mantém o curso de GR, com vasto grupo de estudantes, oriundas de todo o Brasil, mas a seleção brasileira de GR de conjunto, sob seu comando, desaparece. Uma perda, depois de tantos anos de brilhantismo.

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