A corrupção nos governos e na administração pública tem sido constante na história republicana. O experimento do PT no poder não foi diferente, porque as denúncias e as sindicâncias seguiram na mesma intensidade, não apenas no Governo federal mas também nos parlamentos, incluindo parlamentares petistas, em prefeituras e agora caso de Londrina na sua universidade pública. Ontem, neste Jornal, os títulos principais das páginas políticas tratavam de sindicâncias. Uma, sobre obras em andamento na Universidade Estadual (iniciadas na gestão da reitora Lygia Puppato, que acaba de encerrar-se) e cuja planilha de custo está (por avaliação técnica) excessivamente acima do parâmetro; e outra, de investigação sobre irregularidades que teriam acontecido na campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti. Ambos reitoria e prefeitura de administração petista. Em mandatos anteriores das duas instituições também ocorreram denúncias de desmandos, algumas escabrosas, como a que resultou na cassação do prefeito Antonio Belinati. O que estarrece e desencanta é essa constância de denúncias, investigações, CPIs, que enodoam a vida pública brasileira, geram a descrença dos cidadãos nas instituições, criam uma retração no ânimo dos contribuintes em pagar seus impostos, oneram os cofres públicos, em prejuízo de obras de alcance social, abarrotam de processos a Justiça e consomem muito tempo dos Poderes na apuração das acusações, enquanto projetos de importância deixam de ser apresentados, apreciados e votados, e obras ficam estagnadas. E, para finalizar, ninguém é punido e os valores subtraídos não são devolvidos. Na Universidade, mal a reitora agora promovida a Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado deixa a função e já despontam a polêmica história do livro-relatório, tido como fora das normas; da Casa do Estudante ''inacabada e inadequada'', conforme as críticas publicadas; e pasme-se um simples banheiro que está em obras e com previsão de superfaturamento ou, apenas 38 metros quadrados de construção a um custo de R$ 61 mil, quando o real é de pelo menos a metade disto, conforme cálculo com base em índices do Sindicato da Construção Civil. Dinheiro público que vai para a descarga. O exercício da função pública exige acima de tudo honestidade e responsabilidade, atributos que escasseiam na maioria dos que se lançam candidatos e são guindados a exercer funções de mando. Mas é escassa também a competência, porque para toda a atividade profissional ou gerencial exige-se experiência, menos quando é para administrar a empresa pública. Isto associado à existência de dinheiro público abundante, desfilando diante dos olhos e ao alcance dos administradores despreparados, resultam na formulação que todos conhecem: esbanjamento e corrupção. Não se curará tão cedo esses males se não se começar pela causa, que é a permissividade vigorante. Um postulante a qualquer função pública deveria por obrigatoriedade legal apresentar comprovação de qualificação moral, atestada por fé pública, e de formação específica na área administrativa ou eletiva que se propõe exercer.

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