Crescendo em média 9% ao ano nas duas últimas décadas, e hoje com uma população de 1 bilhão e 300 milhões de consumidores, a China atrai os olhares mundiais ávidos por conquistar esse gigante mercado comprador. O Brasil, quanto a esse aspecto, não perde tempo, e neste momento está naquele país representado pelo presidente da República, por seis ministros e por uma caravana de quatro centenas de empresários, a maior de toda a história brasileira no âmbito das relações internacionais de negócios. O objetivo não é apenas a expansão das vendas, mas também o estabelecimento de parcerias empresariais para intercâmbio de investimentos.
  Faz sentido a euforia do empresariado nacional, porque a China importou do Brasil o correspondente a US$ 1,08 bilhão quatro anos atrás, mais que dobrou essa cota no ano seguinte, e em 2003 o volume chegou a US$ 4,53 bilhões, situando-se como o terceiro maior comprador dos nossos produtos depois de Estados Unidos (US$ 16,69 bilhões) e Argentina (US$ 4,56 bilhões). Ocorre que, também para o grande país asiático, o Brasil é um fornecedor seguro, com o qual não há conflito de nenhuma ordem, e isso favorece não só os negócios mas também os entendimentos diplomáticos.
  Nesta visita da missão brasileira, que irá até a próxima quinta-feira, será assinado um protocolo bilateral criando o Conselho Empresarial Brasil-China, reunindo 44 empresas brasileiras e chinesas, cujo faturamente somado alcança a cifra de US$ 250 bilhões/ano. O Conselho terá a incumbência de facilitar os negócios entre os dois países, que já se realizam e vêm crescendo, mas o objetivo é buscar uma expansão sem limites porque a China representa, sozinha, um dúzia de brasís em população e com acentuado crescimento de seu poder aquisitivo – um surpreendente dado a demonstrar que território relativamente pequeno e um tão gigantesco volume demográfico, ademais longe de ser uma democracia política, não são sinônimos de escassez e miséria social.
  O Brasil vai redespertando para os negócios da China, e essa incursão de tão numeroso grupo de governantes e empresários brasileiros por terras chinesas restaura um pouco da imagem do Governo Lula, tão desgastada internamente, e deverá conferir mais entusiasmo e agressividade à ainda tímida e pouco experiente classe empresarial patrícia, no que diz respeito ao comércio exterior. Tem-se afirmado, e com razão, que o empresariado brasileiro é pródigo em produzir em quantidade e qualidade, é capaz de absorver com facilidade novas tecnologias, mas só agora está aprendendo a divulgar lá fora o que faz e o que possui e ainda não é um bom vendedor dos seus produtos para os compradores internacionais.
  Esta ida da caravana brasileira à grande nação asiática – que é apenas uma preliminar ante o que ainda há por fazer na área das relações bilaterais de negócios e do intercâmbio em tantas outros campos – configura-se como um dos grandes acontecimentos da política externa do Brasil. Amplos portais se abrem por essa via, e, inevitavelmente, propiciarão boas lições de aprendizado ao grupo que ora visita a China. Não há dúvida de que os resultados começarão a revelar-se, doravante, porque nosso País tem muito a oferecer ao mercado chinês, e os chineses desejam comprar. Com toda certeza, de bons produtores, os brasileiros irão se convertendo também em bons vendedores.

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