EM BUSCA DO OURO - Brasil precisa criar cultura esportiva
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Elaine Souza<BR>Reportagem Local 
Planejar o treinamento dos atletas para cumprir a meta de melhorar o desempenho do País no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos, em especial da edição do Rio de Janeiro em 2016. Esse é o desafio proposto pelo Comitê Olimpíco Brasileiro (COB) ao consultor esportivo Antônio Carlos Gomes. O paranaense será responsável pela coordenação de um novo laboratório olimpíco que ficará na capital fluminense.
Antes disso, porém, ele tem outra tarefa importante. O fisiologista faz parte da equipe responsável pela recuperação do corintiano Ronaldo. ''Ele já está em fase avançada e em breve estará de volta. E, assim, aperfeiçoará sua forma com a participação em jogos oficiais'', aposta.
Nesta entrevista, Gomes aborda temas como a importância do acompanhamento por profissionais especializados para os atletas e sua expectativa de um melhor desempenho dos competidores brasileiros nos quadros de medalhas das próximas competições de peso.
Qual a importância do planejamento dos treinamentos para o desempenho dos nossos atletas nos próximos Jogos Olimpícos?
Esse trabalho é fundamental, pois não temos no país uma cultura de pensar o esporte a médio e a longo prazo. Isso é muito importante para se buscar resultados, que são as medalhas olímpicas. A ideia é desenvolver um programa nacional unificado, com pensamento e procedimentos voltados para o aperfeiçoamento de nossos atletas para 2016.
E qual é a sua expectativa para o desempenho dos brasileiros na Olimpíada do Rio de Janeiro?
Espero que o Brasil desenvolva uma cultura esportiva que possa ter efeito por muitos anos ou até mesmo que dure como uma atividade necessária para uma sociedade moderna e inteligente. Por outro lado, temos a possibilidade de melhorar no quadro de medalhas, nos classificando entre as primeiras potências do mundo.
Como o senhor avalia o desempenho dos atletas brasileiros na última Olimpíada?
O resultado do Brasil foi o resultado do investimento, da preocupação e do incentivo do país ao esporte. Ou seja, muito ruim.
Como mudar esse panorama?
Somos um país com potencial genético, com condições climáticas favoráveis, com estrutura física muito boa. Se somarmos isso a uma política nacional de esporte séria, com participação efetiva da comunidade, universidades, empresas e órgãos responsáveis pelo esporte, o Brasil mudará este panorama em 2016.
Qual é a importância do trabalho do fisiologista para uma equipe esportiva?
É muito importante a participação das diversas áreas científicas, como fisiologia, bioquímica, biomecânica, nutrição, medicina, psicologia etc. O futebol tem dado exemplos positivos apresentando em suas comissões um fisiologista para ajudar a comissão técnica a controlar e avaliar melhor a condição física de seus atletas.
Que tipo de trabalho o senhor está desenvolvendo com o corintiano Ronaldo para que ele recupere a forma e volte aos gramados?
Neste momento a preocupação é colocá-lo em bom estado de saúde. Estamos realizando um trabalho de condicionamento físico antes de inciarmos o treinamento de alto nível propriamente dito. Ele já está em fase avançada de recuperação e em breve estará de volta. E consequentemente aperfeiçoará sua forma com a participação em jogos oficiais.
O trabalho específico para um único atleta é mais difícil de ser realizado?
Estudos científicos mostram que o ideal é que cada atleta tenha seu programa de treino individual e específico para sua função como atleta. Infelizmente, no nosso país, este conceito ainda está amadurecendo. Os trabalhos são muito genéricos e com grandes grupos treinando ao mesmo tempo. Isso dificulta o aperfeiçoamento, além de colocar os atletas em risco com atividades e volumes às vezes não adequados para alguns deles.


