Em busca de um trânsito melhor
A indústria automobilística só tem o que comemorar com o desempenho das vendas nos últimos anos. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apontam que o setor registrou crescimento de 4,91% em relação ao ano anterior, com 5.767.886 unidades comercializadas. Só os automóveis e comerciais leves, os modelos mais comuns nas ruas urbanas, somaram 3.425.596 unidades comercializadas, alta de 2,9%.
Para essa indústria, o mercado no ano passado era uma avenida com trânsito livre e desempedido. Uma passarela. A economia agradece, claro. Afinal, esse movimento positivo nos negócios da indústria movimenta o mercado de trabalho, gera renda, aumenta a arrecadação de impostos, acelera o ciclo econômico.
Por outro lado, esse desempenho da indústria autombilística e o crescimento do número de veículos desfilando pelas ruas das cidades e rodovias Brasil afora só faz aumentar um problema crônico no trânsito: a falta de respeito à legislação do setor. Ao mesmo tempo em que o volume de carros cresce nas ruas, sobe as esquinas ocupadas irregularmente, faixas de pedestres nem sempre respeitadas, motoristas dirigindo alcoolizados, vagas destinadas para deficientes ou idosos usadas desrespeitosamente, acostamentos servindo de caminho para os que não têm paciência para aguardar um incidente qualquer na rodovia, semáforos sendo cruzados no vermelho, calçadas sendo utilizadas como estacionamento, e por aí vai...
Algumas atitudes no trânsito poderiam ser consideradas apenas como uma falta de educação com o próximo - e é - mas representam o descumprimento de regras e leis. E o resultado disso pode ser visto todos os dias na mídia. Segundo levantamento divulgado no início do ano pela 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual o número de acidentes registrados nas rodovias estaduais do Norte e Norte Pioneiro do Paraná, por exemplo, cresceu 22,6% em comparação com 2010. A quantidade de feridos também cresceu: 15%. Sim, falta gentileza e responsabilidade no trânsito. E é tão simples - e legal - cumprir as regras.
Bom seria se o trânsito fluísse - com a ajuda do poder público oferecendo ruas transitáveis e bem sinalizadas - como a indústria do setor. E que gerasse sempre boas novas, como o resultado divulgado pela Fenabrave na última semana. E que os motoristas ''desavisados'' seguissem mais os bons exemplos - que também estão espalhados pelas rua. E que fossem gentis, gerando gentileza e girando a economia brasileira. Sempre é tempo.





