Em busca da verdade
Meu partido, o PMDB, me honrou ao me indicar para presidir a Subcomissão do Senado que investiga os desdobramentos da CPI do Judiciário. Em menos de um mês, mesmo durante o chamado recesso branco, a Subcomissão trabalhou com empenho para esclarecer as dúvidas da sociedade brasileira.
Foram, em poucos dias, 25 depoimentos que, frequentemente, iam madrugada adentro. Pessoalmente fui a todos os órgãos que poderiam colaborar no sentido de conferir agilidade aos trabalhos da Subcomissão. Fui ao Banco Central, à Receita, ao Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União. Todos se prontificaram no auxílio técnico aos trabalhos da Subcomissão.
O trabalho realizado é muito eloquente e não comporta leituras políticas secundárias e ardilosas. Desde o início, reiteradamente, frisei que não iria criar expectativas irrealizáveis. Afirmei também que conduziria os trabalhos de maneira isenta, equilibrada e, principalmente, independente. Afinal, trata-se de uma Subcomissão do Senado Federal e não de um processo de submissão a quem quer que seja.
De outro lado, fiz questão de não permitir a politização de nossas investigações para beneficiar ou prejudicar qualquer segmento político. Mesmo sendo uma casa política, a partidarização, evitaria que chegássemos às conclusões que a sociedade merece e espera do Congresso Nacional. Não é uma Comissão para acorbertar quem quer que seja, mas sim para dar respostas.
Na última semana os partidos de oposição, numa decisão que respeito, optaram por não participar mais dos trabalhos de investigação. Com ausência deste segmento político, eleito democraticamente como os demais, perdemos as condições imprescindíveis, que eram a isenção, a independência e o equilíbrio.
Não me sinto confortável presidindo uma comissão de facções. Para manter a coerência política, tomei a decisão solitária de me afastar da Presidência. Uma investigação que conta com apenas uma das partes não iria ser aceita pela sociedade. Seria um exercício faccioso de inutilidade e desconfiança.
A oposição precisa ter a consciência de que fechou a única porta existente, até agora, para investigarmos. A Subcomissão manteve o assunto na ordem do dia. Seu silêncio pode provocar o esquecimento. De outro lado, não interessa a ninguém o hiato que se cria. Para o próprio governo fica como mais uma névoa não dissipada. Todos, sem exceção, perdem.
RENAN CALHEIROS é senador pelo PMDB-AL e ex-ministro da justiça





