A mobilização popular, intensa e persistente, é o caminho mais eficaz para implantar as reformas de que a nação necessita. Já que pouco fazem por via da consciência, os políticos tendem a ceder pela pressão, quando ela emana das massas e ganha amplitude nacional. Por isso tem importância a campanha em busca de transparência tributária que está sendo promovida pelo empresário Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. Sua meta é recolher, até fevereiro, 1 milhão e 500 mil assinaturas para obter a votação de um projeto de lei estabelecendo o direito de o cidadão saber o que é imposto e o que é custo de produção em tudo o que adquire. Isto viria a obrigar a colocação clara, na nota fiscal, de quanto está sendo pago em imposto. Como exemplo, Afif cita os 50% que o mutuário paga de encargos pela casa popular que compra, mas ele não sabe disso. Adicione-se a essa conta o extenso número de prestações, que praticamente nunca acaba. Efetivamente, a transparência irá criando no cidadão a consciência da excessiva carga tributária, assim motivando-o a recorrer aos seus direitos – o de não ser espoliado pelo poder público; outro, de obter um retorno mais substancial em forma de serviços de saúde, educação, segurança e justiça. Porque aquilo que ele recebe como aparentemente gratuito – e no mais dos casos de forma precária – na verdade não é de graça, já que paga, e caro, pela via de impostos sobre tudo o que adquire e consome. Consciente do quanto está recolhendo aos cofres públicos, o cidadão passará a exigir mais qualidade na cotrapartida dos seus direitos. De fato, como argumenta Afif, a transparência tributária precisa ser buscada, porque isto sempre foi obscuro no Brasil. Os governos não estão dando nada graciosamente, por isso as obras sociais anunciadas com alarde nos discursos governamentais não constituem nenhuma concessão, porque obrigatórias. A campanha do empresário paulista também apregoa o corte de gastos do Governo, que aumentam a dívida pública interna, faminta de mais e mais impostos, até pelo descomunal tamanho dela própria e dos juros correspondentes. O cidadão pensa-se democrata por usufruir de alguns direitos, mas não participa do processo de mudanças. É pródigo em lamentações mas faz isso isoladamente, e dessa forma seu clamor não tem ressonância. A proposta de Afif Domingos é apenas um passo – no momento o da coleta de assinaturas visando criar um dispositivo legal que faça o contribuinte abrir os olhos para o quanto paga de impostos. O passo seguinte será organizar-se e exigir a queda da pesada carga tributária e a emissão de nota fiscal em todas as compras e serviços, e clamar pública e organizadamente contra os gastos desnecessários e os abusivos benefícios de que se valem segmentos da máquina pública. Um longo caminho a percorrer, mas não existe outro meio. Só os movimentos populares organizados serão capazes de pôr um fim ao arbítrio representado pela sangria tributária e pela farra pública com o dinheiro do povo. Se vivemos um regime governamental de baixa honestidade – e o ideal seria que não fosse assim – quem não participa das lutas por reformas perde o direito de reclamar.

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