No Brasil, existem hoje cerca de cinco mil farmácias de manipulação - 400 delas no Paraná. Ocupando quase 10% do mercado nacional, o segmento, que cresce de 10% a 15% ao ano, vem exigindo novos padrões de conduta dos farmacêuticos pautados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A entidade instituiu, nos últimos anos, uma série de requisitos legais e éticos da atividade profissional.

Em entrevista à FOLHA, a farmacêutica Rosângela Chammé destaca a criação do Sistema Nacional de Aperfeiçoamento e Monitoramento Magistral (SINAMM) e a importância do farmacêutico que, em suas palavras, deve saber dizer ''não'' diante de um pedido de um remédio.

Quais os cuidados que se deve tomar na escolha de uma farmácia de manipulação? O que levar em conta?
A presença do farmacêutico é um critério imprescindível. Ele é o profissional habilitado para prestar assistência farmacêutica ao receber a prescrição médica e ao dispensar o medicamento ao paciente. O consumidor deve observar se a farmácia tem alvarás e licenças pertinentes à atividade. Como existe muita concorrência no setor, é recomendável que o consumidor procure um estabelecimento de confiança e se informe sobre o procedimento e o tipo de controle de qualidade mantido por ele.

A Anvisa introduziu, nos últimos anos, uma série de requisitos legais e éticos para a atividade profissional. O que há de mais novo a respeito?
A atividade magistral vem passando por exigências crescentes conforme os tipos de medicamentos que manipula. Para a produção de antibióticos, hormônios e citostáticos, por exemplo, são exigidas salas de manipulação dedicadas, dotadas com antecâmara e sistemas de climatização e exaustão independentes. Os critérios de controle de qualidade também ficaram bem mais rígidos, tanto para os fornecedores de matérias-primas quanto para os produtos finais. As farmácias associadas à Anfarmag (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais) têm disponível o SINAMM (Sistema Nacional de Aperfeiçoamento e Monitoramento Magistral), uma espécie de ISO das farmácias de manipulação. Desde seu lançamento, o programa vem atuando como um aliado dos profissionais, propiciando a capacitação de farmacêuticos com cursos de educação continuada técnica e gerencial, e padronização dos procedimentos de preparo dos medicamentos.

E o que têm feito em relação ao atendimento ao consumidor?
A farmácia de manipulação resgata o papel que o farmacêutico tinha antes do domínio da indústria multinacional. O farmacêutico está à frente de todas as atividades, desde a recepção da fórmula, estudo da viabilidade farmacológica, histórico terapêutico do cliente, dispensação e cuidados com a terapia e farmacovigilância, passando ainda pela relação com o médico, fechando um ciclo de atenção à saúde do cliente.

Como promover a fidelização do cliente?
A fidelização do cliente ao mesmo farmacêutico é fundamental para que ele possa conhecer a história farmacológica e o tipo de medicamento que a pessoa vem usando nos últimos meses. É importante que o paciente aprenda a manter contato com o mesmo farmacêutico, da mesma forma que mantém com seu médico.

E a relação de mercado com as drogarias é saudável ou uma dor de cabeça?
Segundo a Organização Mundial de Saúde, deve haver uma farmácia para cada 10 mil habitantes. No Brasil, há uma farmácia ou drogaria para cada duas mil pessoas. Daí a necessidade de vender para sobreviver, o que faz da ''empurroterapia'' algo corriqueiro, tornando-se um problema de saúde pública. Este ramo de comércio tem uma peculiaridade: muitas vezes, devemos dizer não diante do pedido de um remédio. Tal conduta é garantida pela ética e pelo zelo à profissão e por uma fiscalização eficiente das farmácias e drogarias.

mockup