Em busca da qualificação
Se nos últimos anos o foco do governo federal foi incentivar a criação de novos postos de trabalho, agora chegou a vez de aumentar a estabilidade do emprego. Com uma taxa de rotatividade que atinge os 57% entre os trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, o objetivo é incentivar a qualificação profissional como forma de estimular a permanência no emprego. No total, mais de 40% dos trabalhadores formalizados deixam sua vaga a cada ano.
A proposta foi apresentada no início da semana no estudo "Vozes da Classe Média", desenvolvido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Merece crédito porque é uma forma de qualificar a mão de obra, fator que, inclusive, é apontado como um dos "entraves" ao crescimento do País. Embora o perfil do mercado de trabalho venha se modificando ao longo dos anos, é importante salientar que a alta rotatividade acarreta custos e perda de produtividade às empresas e ao próprio governo.
Na verdade, também é preciso esclarecer que a intenção da proposta apresentada é reduzir o custo do seguro-desemprego e abono salarial pago pela administração federal. Entre os anos de 2002 e 2012 houve um aumento de 192% na concessão dos benefícios. Mesmo com as taxas de desemprego historicamente baixas, a projeção é que o pagamento exija um desembolso de R$ 42,5 bilhões neste ano, contra R$ 13,7 bilhões pagos em 2003 quando a taxa de desemprego era de 12,3%. Em 2012, o índice foi de 5,5% enquanto os benefícios somaram cerca de R$ 40 bilhões. As explicações recaem para o aumento da formalidade do emprego, reajuste do benefício e alta rotatividade.
Interesses à parte, é importante que o governo invista na qualificação profissional. Ainda falta detalhar o plano e os custos inseridos, principalmente à cadeia produtiva, mas é importante que o trabalhador receba um treinamento formal adequado à atividade que ele exerce. Além disso, pode ajudar na criação de uma cultura diferente, do profissional pensar e buscar sua própria capacitação. A educação é uma das principais deficiências do País e todas as ações que contribuam para fortalecer esse segmento são positivas.





