O paciente só vai
se sentir feliz
se estiver bem
com ele mesmo


Com especialista
o risco é menor, mas
toda cirurgia
apresenta risco




O povo brasileiro recorre cada vez mais a cirurgias estéticas. É o que revela uma pesquisa encomendada pela coordenação do Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, que aconteceu em março em São Paulo. Em 2009, foram realizadas 645.464 plásticas, sendo 69% estéticas. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de cirurgias plásticas, perdendo somente para os Estados Unidos.

Dentre as intervenções, 82% são realizadas em mulheres. E as cirurgias de lipoaspiração e de mama são as mais requisitadas. A procura por plásticas entre os homens gira em torno de 18%. ''A procura é maior entre as mulheres devido à gravidez'', explica o cirurgião Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, presidente da Comissão de Ciência e Segurança da Cirurgia Plástica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Nesta entrevista, ele ressalta que o profissional deve ser ''um psicólogo com o bisturi na mão.'' ''A cirurgia estética não é simplesmente uma rotulação que denigre a cirurgia plástica, porque o cirurgião para fazer uma cirurgia estética tem que saber fazer cirurgia reconstrutora também'', afirma.

Por que o brasileiro recorre com tanta frequência a procedimentos estéticos?
Não é o povo brasileiro que recorre, é todo o povo ocidental. Somos o segundo porque a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é a segunda maior do mundo. Existindo um bom nível cirúrgico, as pessoas procuram o médico quando estão descontentes com algo físico.

Mas somente no ano passado, 69% das plásticas foram motivadas por questões estéticas. O que explica esse índice?
A cirurgia estética não é simplesmente uma rotulação que denigre a cirurgia plástica, porque o cirurgião para fazer uma cirurgia estética tem que saber fazer cirurgia reconstrutora também. Mas a pessoa só procura um cirurgião plástico se está descontente com algo em seu rosto ou corpo.

Quais são os riscos da busca incansável pelo corpo perfeito? A vaidade excessiva pode ser considerada uma doença?
A busca pela perfeição não vem de agora, vem desde o (antigo) Egito, Grécia etc. Os gregos já faziam ginástica para definir o corpo. É difícil dizer que a cirurgia estética é uma cirurgia fútil, porque só quem sabe é o paciente se deve ou não passar pela intervenção cirúrgica estética. O excesso de vaidade não é benéfico, mas o paciente só vai se sentir feliz se estiver bem com ele mesmo.

No ano passado, 82% das cirurgias estéticas realizadas no Brasil foram em mulheres. Por que as plásticas predominam entre o público feminino?
Porque, diferentemente do homem, a mulher engravida e durante a gravidez ela perde a noção do seu contorno corporal. E como esse contorno está dentro da nossa mente, ela procura ser como era antes.

E qual é a tendência em relação ao número de cirurgias estéticas entre os homens?
É de aumento porque a cirurgia evolui muito. No início, só 7% dos homens faziam cirurgia plástica, hoje esse número aumentou muito. Antes, quando um homem passava por uma intervenção plástica, duvidavam de sua masculinidade, preconceituosamente. Além disso, o homem também era menos vaidoso que a mulher e mais medroso.

Como o médico faz para equilibrar a vontade do paciente de passar por uma cirurgia estética e a real necessidade da intervenção cirúrgica?
Geralmente, quando não é aparente o que o paciente chama de defeito, e quando existem dificuldades para melhorá-lo, é sempre necessário conversar mais de uma vez. Eu costumo escrever e falar ao paciente que sua consulta está em aberto por um ano. O cirurgião plástico deve ser um psicólogo com o bisturi na mão.

Quais cuidados os pacientes devem tomar para evitar riscos nas operações?
Em primeiro lugar, procurar um profissional titulado pela SBCP. Se não gostar do médico, procurar um segundo profissional. Fazer todos os exames pré-operatórios, que deverão ser solicitados pelo especialista, pois a cirurgia plástica é uma cirurgia como outra qualquer.

O paciente deve procurar um especialista da SBCP. Hoje, existem outros médicos que se dizem cirurgiões plásticos. Para isso, são necessários seis anos de medicina, dois anos de cirurgia geral, mais três anos de especialização em cirurgia plástica. Claro que com o especialista o risco é muito menor, mas toda cirurgia apresenta risco.

Ewaldo Bolivar de Souza Pinto
Cirurgião plástico

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