Em briga de elefantes, quem sai massacrado é o capim
Arthur Flamarion Santiago da Silva
Alguns anos atrás, ou muitos, me lembro de ter passado por um certame com escopo de angariar uma vaga junto aos bancos universitários de uma instituição da nossa linda Londrina. E assim começo para dizer que o título do presente artigo não é uma nova criação, mas sim o tema de redação passado naquela oportunidade.
Não me lembro ainda, se era bem assim, mas no contexto, foi assim que o interpretei.
Hoje, alguns anos mais tarde, passo a verificar a contemporaneidade de tal enunciado de prova de redação. Os representantes do povo o massacra com um peso, ou carga tributária que vai além das forças do cidadão comum, coisa que não acontece dentro dos lares, pois aqui se as contas aumentam, energia, cesta básica, taxa Selic, entre outros, o mesmo cidadão não tem a quem recorrer, ou paga, ou paga.
É um baita contrassenso, o povo elege os governantes para lhes representar, mas estes representantes não exercem o seu papel, brigam por interesses próprios, a supremacia e indisponibilidade do bem comum, que deveriam servir como prerrogativas e sujeições do cargo, são utilizadas somente como privilégios próprios, travestindo a relação para o qual foram eleitos.
Uma sociedade deve ter estabilidade, mas para que tal estabilidade se materialize, necessário se faz o respeito às normas de convivência para que o limite de uma pessoa, não adentre a esfera de direitos de outra. No entanto, os grandes burlam a todo o momento o direito dos pequenos, e estes diuturnamente são massacrados por aqueles.
É como se povo tudo suportasse. Exterminar ministérios imprestáveis ninguém faz, apenas promete. Reduzir gastos públicos e certos caprichos, como o caso do aluguel de 19 limousines que foram utilizadas para uma "visitinha" da comitiva brasileira aos Estados Unidos a um custo ínfimo de US$ 100 mil dólares, mais de R$ 300 mil, é necessário.
Que país é este, que pisa, maltrata e pune o cidadão a uma pena pecuniária e de prestação de serviços todos os dias? Sim, é isso mesmo, a carga de tributos que é imposta e a quantidade de dias que trabalha-se para pagamento desses tributos, é algo que pode ser tido como sanção, mas sem crime algum cometido.
O governo pode deixar de cumprir com seu papel, pode deixar faltar escola de qualidade, faltar serviços de saúde, de segurança de profissionalização para os jovens, mas experimente o cidadão comum ficar sem pagar suas contas a esse mesmo governo, ou suas concessionárias, com uma rapidez meteórica as consequências chegarão à sua porta, experimente não pagar o aumento da energia elétrica, em pouco tempo, você estará no escuro.
Veja que o salário não aumentou, veja que no mesmo sentido, a renda também não aumentou, diminuiu. Tudo subiu, mas o salário continuou o mesmo. Não se quer afirmar que o salário deva subir, não, pois isso é um efeito cascata, mas sim, que os preços permaneçam no mesmo patamar de outrora.
Imagine um mundo perfeito, o salário não aumenta, mas os preços se mantêm da mesma forma compatíveis com aquele. O cidadão poderia buscar outras fontes de renda, sabendo que aquilo sim seria um aumento no seu poder aquisitivo. Hoje o aumento de salário é ilusão, pois atrás dele virão os aumentos reflexos e isso é economia, é soma de adição e subtração, cálculo simples.
Ótimo, e agora? Agora, o país está à beira do precipício. Passam panos quentes e buscam o implemento de novos tributos, como é o caso da extinta CPMF, que por enquanto não passou, mas vai passar nem que for com um outro nome e em outro lugar. E daí? E daí o povo aguenta, já está acostumado a ser massacrado pelos elefantes e nada fazer, quando poderia usar o seu direito mais forte, o voto!
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