Foz do Iguaçu - O descrédito do povo argentino foi evidenciado em dezembro de 2001, quando explodiu uma onda de manifestações motivada pelo fracasso da uma falida política neoliberal. Os altos índices de fome, desemprego, miséria atingiram (e ainda atingem) a então intocável classe média. Isso, aliado às denúncias de corrupção que não pouparam os maiores partidos políticos.
À época, estourou a desilusão com Fernando de la Rúa, presidente eleito em 1999 pela UCR como a promessa de romper o modelo neoliberal de Carlos Menem. Em 20 de dezembro, de la Rúa renunciou sob forte pressão popular, que culminou na morte de 30 manifestantes e dezenas de feridos durante as centenas de ''panelaços'' e saques pelo país.
Os argentinos viram o peronista Ramón Puerta (ex-governador de Missiones) presidente por algumas horas. Ele também renunciou e assumiu outro peronista, Adolfo Rodríguez Sáa, que ficou uma semana no poder, mas caiu sob pressão popular. Ironicamente, o peronista Eduardo Duhalde, derrotado por de la Rua, assumiu a Casa Rosada, em 6 de janeiro de 2002.
Recentemente, o presidente deu outra contribuição para o desânimo do eleitor ao esvaziar a vitória do seu adversário e correligionário do Partido Justicialista (PJ), Carlos Menen, nas prévias do Partido Justicialista. A estratégia dispersou o favoritismo na eleição, tradicionalmente polarizada entre um justicialista (peronista) e um membro da União Cívica Radical (UCR).
A mudança de datas determinada pelo presidente Eduardo Duhalde também ajudou a esfriar o interesse por políticos. Duhalde atendeu uma exigência da população ao determinar a antecipação do pleito em sete meses. Mas depois adiou o pleito de 30 de março para 27 de abril, com possível segundo turno em 18 de maio e posse uma semana depois.

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