Quatro milhões de abortos clandestinos por ano são realizados na América Latina e Caribe. A estimativa é do Instituto Alan Guttmacher, através de um estudo feito em 1991 utilizando os registros hospitalares oficiais de internações devidas ao aborto e suas complicações e entrevistas com profissionais da área, considerando sub-registros e eliminando abortos espontâneos e não clandestinos.
No Brasil, a estimativa de abortos clandestinos em 2000, aplicando a mesma metodologia, varia entre 750 mil e 1,4 milhão. As pesquisadoras Sonia Corrêa e Angela Freitas concluíram que, para cada internação para curetagem pós-aborto do SUS, ocorrem entre 3,5 a 5 abortos clandestinos.
A última Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde mostrava que, das pessoas vivendo em união e com dois filhos vivos, 90% das mulheres e 88% dos homens não queriam uma outra gravidez. Daqueles com um filho, 50% não desejavam ter mais filhos.
Estudo realizado em 1995, com base nas 53.861 internações por aborto registradas pelo SUS no Estado de São Paulo, encontrou uma média estadual de uma internação por aborto para cada 10 internações para parto. As internações por aborto dividiram-se em: 57,4% de abortos espontâneos; 19,3% de abortos não especificados; e apenas 1,7% foi classificado como ''aborto sem indicação legal'' o aborto realizado ou iniciado clandestinamente. Naquele ano haviam sido registrados 51 casos (0,1%) de ''abortos provocados com indicação legal'', realizados nos serviços que já contavam com esse tipo de atendimento.
Com autorização judicial, algumas mulheres já conseguiram fazer aborto pelo SUS em casos de malformação fetal.

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