Dos belos atos cívicos que se realizam em nosso País, lembramos de um, que, identificado pelo som de fanfarras, compostas de escolares e integrantes de outras instituições, segue em marcha pela avenida de uma cidade, em festivo desfile, comemorando a Independência do Brasil. É a tradicional comemoração do 7 de setembro, uma bela lembrança que fica na memória do brasileiro, formando a consciência de um país livre e independente.
Se voltarmos na história, encontraremos exemplos de civismo, não tão poéticos como a magia cívica do desfile nas ruas de uma pequena cidade, mas de forma contundente, combativa, determinada, honesta, e de rígidos princípios. Também encontraremos fatos importantes do início do século XIX, como a de estudantes que se dirigiam à Europa, para se doutorarem, especificamente nas universidades de Coimbra e Montepilier, que ao sentirem o gosto da liberdade, que lá predominava, não se conformavam com a total dependência do Brasil em relação a Portugal.
Muitos por lá ficavam, após a conclusão dos estudos. Outros, no retorno, traziam a vontade de ver o Brasil livre, passando a reunir-se em sociedades supostamente secretas, com o objetivo claro de tornar independente o nosso País. Preocupado com a propagação desse fato, Portugal passa então a lhes oferecer, além de altos salários, cobiçados cargos. Conta a história que esses estudantes, atentos a tudo o que acontecia, firmaram um pacto, o de não mais aceitar cargos em Portugal, mesmo com os altos salários oferecidos, para se dedicarem à nobre causa de ver o Brasil Independente.
Nessa luta toda, Gonçalves Ledo, um dos grandes líderes, bem que merecia um pouco mais de gratidão histórica dos brasileiros, pois, além de sua determinação, recusou, por diversas vezes, títulos de nobreza oferecidos por D. Pedro I, deixando este e José Bonifácio irritados em certa ocasião, argumentando que, se, estava lutando pela Independência do Brasil, com vontade de ver implantada imediatamente a República, não poderia, de forma alguma, aceitar um título da Monarquia Absolutista.
Após a Proclamação da República em 1889, resultado da luta de homens livres e de bons costumes como Deodoro da Fonseca, Benjamin Constant, Rui Barbosa, Silva Jardim, Quintino Bocaiúva, dentre outros, muita coisa mudou em nosso País. Com o aparecimento dos partidos, passou a existir no Brasil um avanço político muito grande, rareando, no entanto, políticos com os bons princípios que possuíam os grandes homens de nossa independência, da libertação dos escravos, da república, e de tantos outros feitos.
Valemo-nos hoje de políticos, em sua maioria, sem princípios éticos e consciência cívica, com agravante de serem eleitos por força de altos gastos, tal como se realizam negócios no submundo do crime, onde o lucro exorbitante é a tônica e o interesse maior do investimento. Pelo andar da carruagem, observa-se que, os nossos políticos estão devolvendo ao nosso País - se é que já não devolveram! - sua condição de tutelado, haja vista as negociações de nossa dívida externa e outros comportamentos inadequados que tanto se vê por aí.
Temos a oportunidade hoje de afirmar, neste 7 de setembro, que agora, estamos de novo dependentes, porém em situação muito mais constrangedora perante o mundo do aquela de 1822, pois a submissão agora deriva de comportamento negativo dos próprios brasileiros e não - como naquela época- de interesses de portugueses descobridores, com o agravante ainda dos atuais exploradores terem nascidos aqui mesmo no Brasil.
MÁRIO CARDOSO é advogado em Londrina e presidente da ONG Apoio Comunitário

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