Antes livre e desorganizado, o reaproveitamento das sobras de produtos em boas condições é agora feito em mutirão e ordenadamente na Central de Abastecimento de Londrina, a Ceasa. A coleta originada desse selecionamento é destinada graciosamente a creches, abrigos, escolas e igrejas. A decisão de evitar desperdício e dar utilidade a tanto alimento que se perdia foi tomada por produtores e atacadistas. Cento e quarenta instituições são atendidas, num total de 20 mil pessoas, que recebem frutas, legumes e verduras de acordo com as necessidades. Não se trata de produtos juntados aleatoriamente, mas os que acabam espalhados pelo manuseio apressado dos fornecedores e outros manipuladores, incluindo os fregueses, e aquelas mercadorias sem boa aparência para o mercado. Agora o próprio pessoal da Ceasa se incumbe da tarefa de juntar e selecionar, e isto está resultando em grande benefício para aquelas entidades. São 40 toneladas/mês de doações, ou 1.030 quilos/dia. Esta tomada de conscientização merece todo o aplauso, significando um avanço de comportamento e um ato sobretudo humanitário. Ademais, educa e conscientiza também os frequentadores da Ceasa e a converte numa organização simpática aos olhos dos cidadãos. O mérito não está apenas na valorização do alimento e no reaproveitamento, mas no exemplo, que com toda certeza contribui para um olhar mais atento por parte das pessoas destacadamente as crianças e adolescentes sobre a importância que deve ser dada ao produto alimentício e ao ato de favorecer pessoas carentes. Porque o Brasil é ainda um país onde o desperdício é muito grande, especialmente de comida, e sabe-se que a carência alimentar assola 40 milhões de patrícios. Atitude como esta faz escola e estimula seguidores. Supermercados já adotam prática semelhante, embora sem o selecionamento direto, e restaurantes também o fazem a não ser os de franquias transnacionais e aqueles que temem ser responsabilizados por algum mal que venha a ocorrer com os consumidores beneficiados, mesmo que não decorrente dessa doação alimentar. A saudável prática do aproveitamento dessas sobras em bom estado deve servir de modelo, inclusive para certos restaurantes que atendem pelo sistema de rodízio e que contribuem, eles próprios, para o desperdício, porque não dão folga ao freguês e este, de sua vez, amontoa alimento não consumido. Nada mais funcional, nesse caso, do que o sistema de pesagem, porque ninguém quer pagar pelo que não vai consumir e nem desperdiça aquilo pelo qual pagou. Soluções simples como a da Ceasa, e as demais do gênero, contribuem para a construção de um país melhor e mais solidário. Se, nas múltiplas variantes, a prática de conter o desperdício e contemplar melhor cada necessitado for se estendendo a todos os setores da vida humana, a nação crescerá em qualidade e readquirirá um novo auto-respeito, porque ajudar também engrandece as pessoas.

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