Elias Mattar Assad

‘‘Felicidade’’ virtual
e o engodo geral...
A melhor maneira de dominar pessoas é com promessas de felicidade em quaisquer de suas formas. É mais eficiente que métodos de atemorização e sem os perigos de resistência. Se ao temor pode alguém se opor, resistir e lutar, a felicidade, contrariamente, sendo uma aplicação geral, ninguém questiona, ainda que virtual.
Batizar coisas velhas com palavras novas e criar expressões enganadoras são métodos de dominação infalíveis. Recordemo-nos que na história mais recente do Brasil todos nos engajamos por uma ‘‘nova República’’ e uma ‘‘nova constituição’’, como se meras palavras tivessem mágico poder transformador. Em seguida, o sonho de democracia estaria para se consolidar com um presidente eleito pelo voto popular, e este, surgindo auriverde, é eleito com vãs promessas de liquidar os ‘‘marajás’’ aos nosso sentidos ‘‘único mal nacional...
Expurgado, vem uma moeda nova (‘‘real’’ por ironia) e, em seguida, o discurso de um tal ‘‘neoliberalismo’’. Debitamos, agora, todo nosso sacrifício a um suposto ‘‘ajuste’’ por uma também sonhada política internacional de ‘‘globalização’’. Observe-se aqui que não se fala em ‘‘globalizar’’ salários, e a tal ‘‘competitividade’’, tão propalada naquele discurso, refere-se, em verdade, ao ‘‘competidor’’ que tiver maior capacidade da fazer jejum...
A felicidade nunca é hoje! Segundo Aurélio, o termo ‘‘virtual’’ significa: ‘‘que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual... Deveríamos viver a verdade do hoje, fosse qual fosse. Ao menos, conscientes da felicidade, poderíamos construir solidamente uma felicidade futura. Iludidos, jamais! Povo que cultiva ilusões, nada semeia...
Nunca entendi como pode a oitava economia do mundo ter moeda quase tão forte quanto as primeiras. Vivemos uma contradição filosófico-ideológica de um ‘‘capitalismo sem capital’’ e de um ‘‘liberalismo sem liberdade’’. Superadas essas crises conceituais, avançaremos.
Enfim, redescobriremos o Brasil quando redescobrimos a verdade. O ontem passou e o amanhã é mera expectativa. O engodo (hipnose coletiva?) da ‘‘felicidade virtual’’ só se equipara aos artigos importados de efêmera duração que adquirimos por R$ 1,99.
- ELIAS MATTAR é presidente da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas.

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