Se os prefeitos cometem muitos desmandos, não dispensam mordomias e, muito pior, fascinam-se pelo dinheiro público e deixam-se levar pela corrupção, não deixa de ser justa a reivindicação que agora fazem à União para que aumente o porcentual dos repasses que lhes cabem. Na Marcha em Defesa dos Municípios, os 2.000 prefeitos que se encontram em Brasília reforçam o pedido de aumento do Fundo de Participação dos Municípios, o que está previsto no projeto de reforma tributária. É no município que os problemas sociais se manifestam mais próximos do poder público, mas parece que, no entender do Governo central, essas comunidades não são Brasil, porque mais e mais a União centraliza a receita dos impostos, abocanhando hoje 61% de tudo o que é arrecadado no País. Ocorre que o Governo Federal acena com diminuição dos repasses, em 2005, alegando queda na arrecadação do imposto de renda e do imposto sobre produtos industrializados, que compõem a base de cálculo para o fundo destinado aos municípios. No Governo Lula o volume dos repasses já veio diminuindo e isso atingiu a execução orçamentária municipal, programada para despesas maiores em face do orçamento aprovado pelo Congresso e no qual estavam reservados R$ 83,6 bilhões para Estados e prefeituras. A alegação da baixa renda da União conflita com os números e com a constante elevação dos impostos, conflitando também com os ufanismos governamentais sobre o próprio desempenho. Um deles é o do aumento das exportações um mérito que não é do Governo mas da eficiência do sistema produtivo e, portanto, da iniciativa privada. Mesmo assim o Governo reduz R$ 900 milhões previstos para os municípios e que são oriundos do fundo de compensação das exportações. A comunidade governamental não dá conta de suprir a gastança e de cobrir o serviço de suas dívidas e, então, ao invés de conter gastos e diligenciar para uma arrancada do desenvolvimento nacional que proporcionaria mais receita tributária por via natural arrocha mais e mais os impostos e ainda acena com a criação de novos, como os contidos na polêmica Medida Provisória 232, ora tramitando no Congresso. No substrato final dessa dinâmica constata-se a triste realidade do excesso de problemas sociais, que oneram o custo Brasil, o enorme peso da máquina burocrática gastadora e desperdiçadora e a ausência de projetos desenvolvimentistas que revertam essa situação. Os governantes parecem encantar-se com os próprios discursos e, de tanto repeti-los e ouvi-los, passam a acreditar neles. O aumento de 1% no Fundo de Participação dos Municípios, agora pleiteado, é pouco para a União mas muito para as comunas municipais. Espera-se que não seja em vão essa marcha a Brasília. Os governantes encastelados no altiplano brasiliense parecem ignorar que se os municípios melhoram de qualidade, o Governo central também se melhora, porque os governos municipais são extensões desse mesmo Governo.

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