A estimativa não é aleatória mas feita pelo Departamento Nacional de Trânsito e demonstra que 30% do gasto a mais de combustível ocorre nas paradas diante dos semáforos. E também revela que a sincronização deles diminuiria no mesmo porcentual o atraso no tráfego das maiores cidades. Londrina situa-se entre as cidades de maior porte, então o alerta também lhe cabe, porque seu sistema de semáforos é desarticulado. Agora, como uma nova adminitração municipal e novo comando na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, é hora de corrigir os problemas existentes no setor.
  Os números de um mês atrás indicavam a existência de mais de 250 mil veículos automotores em Londrina, divididos em 152.407 automóveis, 44.916 motocicletas, 36.005 camionetas, 10.953 motonetas, 7.708 caminhões e 1.669 ônibus. Isto representa 1 veículo para cada 2 pessoas, um considerável volume, que exige mais atenção para a questão do sistema viário. Facilitar o fluxo do tráfego é facilitar a vida das pessoas, com mais economia de combustível e de tempo e menos nervosismo e estresse.
  O problema do gasto inútil de combustível com semáforos desregulados ou às vezes desnecessários já foi levantado inúmeras vezes, mas as autoridade (no Brasil inteiro) têm se preocupado mais com a aplicação de multas aos infratores – que são muitos – do que em corrigir defeitos da sinalização. Os semáforos são necessários, mas precisam agilizar o fluxo e não embaraçá-lo. Ruas e avenidas de escoamento precisam de sinais com mais tempo no verde, e em horário de pico até o verde pode ser desligado acionando-se a luz intermitente, para que os veículos fluam e não causem engarrafamento.
  Ruas transversais têm movimento menor, então pode haver mais espera para o momento de cruzar. Londrina não contempla o pedestre como deveria ser, porque no mais das esquinas ele não tem vez para atravessar a rua. Por enquanto se deu mais importância à acusação e à punição aos motoristas infratores, porque isto gera receita e visa encobrir as falhas de sinalização e o ordenamento geral de todo o sistema, mas é hora também de refazer estudos sobre o tráfego urbano, com olhar igualmente para o transporte coletivo.
  Serão necessários especialistas em fiscalização mas também técnicos em engenharia de tráfego. Estudos demonstram que pouco mais de 10% dos municípios de médio porte do País utilizam equipamentos sofisticados de semáforos. Londrina não figura nessa lista de modernidade. É preciso pensar no sistema viário como um setor de grande relevância e propiciar-lhe os meios, porque está em jogo também a segurança das pessoas. Londrina precisa dar um salto de qualidade no setor.

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