É certo que fica difícil encontrar, a meio dessa forma caótica com que nos foi imposto o racionamento de energia elétrica, algum dado positivo. Mas esse dado existe. Enquanto autoridades e comentaristas buscavam culpados e justificativas, o povo foi percebendo que a situação era, de fato, séria, e tanto mais séria quanto maior era a inação governamental, que começou a adotar medidas as mais práticas e efetivas para que fossem cumpridas as metas fixadas, residência a residência.
Desligaram-se aparelhos não exatamente supérfluos, mas de utilização reticente, investiram na compra de lâmpadas fluorescentes, deixando de lado as consumidoras incandescentes e o resultado é que, no prazo determinado, com mínimas exceções, as metas foram cumpridas.
O tempo passado e mesmo diante do silêncio de autoridades e empresários, já se sabe que o Governo deixou de investir na área energética alguns muitos bilhões de reais e que os adquirentes de nossas empresas de eletricidade, por seu lado, deixaram de cumprir os compromissos assumidos quando da aquisição, com o que a situação chegou ao instante de gravidade de que todos temos conhecimento. Aliás, que todos vivemos.
Pois bem, por essa desídia que beira ao criminoso, governo e empresário nada sofreram. Ao contrário, o governo vem de conceder um aumento de tarifas para cobrir exatamente o quê? Exatamente o menor consumo de energia a que fomos obrigados por decisão governamental.
Isto não seria um deboche? Não fomos nós que largamos de mão a área energética, em especial a de eletricidade. Nem nós que descumprimos o compromisso de ampliar a produção e a distribuição de energia. Mas somos nós, exatamente nós, os consumidores, que iremos pagar por isso tudo. Seja, neste instante do país recriado pelo Sr. Fernando Henrique, estamos sendo punidos porque cumprimos com nosso dever. É deboche, nada mais que deboche!
RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS-PR

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