Eles eram beduínos
Infelizmente, no Brasil, ainda não conseguimos implantar um modelo de gestão pública permanente que possa dar-nos uma identidade própria, nesse campo, e nos conduzir para um desenvolvimento contínuo e pensado. Ao contrário de nós, algumas ex-tribos de beduínos, como as de Dubai e Abu Dhabi, e as do Qatar e do Sultanato de Omã, que há 50 anos eram apenas comerciantes nômades e extratores de pérolas deram um pulo desenvolvimentista contínuo e focado, transformando-se em nações ricas e extremamente desenvolvidas, com um modelo de gestão focado no desenvolvimento e no bem-estar da população.
Quando se descobriu o petróleo em Abu Dhabi a cidade tinha apenas 46.000 habitantes, quatro médicos e cinco escolas. Os "ricos" moravam em "casas de barro" e as famílias "pobres" construíam suas casas com "bambu". Passados 50 anos, o Emirado é um espetáculo e possui mais de um trilhão de dólares investidos no exterior, e outro trilhão em seu fundo soberano para novos investimentos. A educação e a saúde sempre mereceram prioridade máxima, sendo o ensino público de excepcional qualidade, bilíngue (árabe e inglês), desde o início. Não existe plano de saúde, pois - assim como a educação - o estado garante o melhor atendimento médico à sua população, com médicos e hospitais quase incomparáveis com outros no mundo.
Por sua vez, Dubai - a "jovem rebelde" - implantou o mesmo sistema, prestigiando a educação e a saúde, assim como a qualidade de vida. É uma cidade que se fez em 30 anos, magnífica, e cresce de uma maneira inimaginável. Com o propósito de diversificar a economia ,investiu em alumínio, petroquímica, cimento, têxtil e vestuário, farmacêutica, ouro e joias. Acrescentou, depois, uma vasta gama de indústrias de alta tecnologia intensiva em capital, equipamentos de tecnologia da informação e médicos, equipamentos para a construção, refrigeração e de controle ambiental, especialmente, na área de produção de energia eólica, e se tornou um extraordinário centro financeiro. Só na zona franca de Jebel Ali, uma das doze de Dubai existem mais de 7.000 empresas, de 125 países (Manaus tem 500 empresas). Com isso, reduziu a dependência ao petróleo para 1/4 do PIB.
Outro referencial na área é o Qatar (Doha), que não difere em nada do empreendedorismo de Abu Dhabi e Dubai, e que, igualmente, deixou de ser um povoado beduíno para se tornar uma nação rica, tão importante, linda e exemplar como as suas quase vizinhas, e sempre investindo na educação, saúde e infraestrutura. O modelo de gestão e de investimentos é o mesmo.
Mais longe se encontra o Sultanato de Omã, na ponta alta da península arábica, já na Ásia ocidental, que, embora não seja tão rico como os demais já credencia a população a uma renda per capita anual de US$ 20 mil(US$ 8,5 mil, no Brasil); índice de analfabetismo de 5,1%(no Brasil, 8%); saúde e educação de excelente qualidade; contínua construção de rodovias e estradas de ferro, ambas de qualidade internacional; taxa de impostos fixa de 15% (Brasil, 37%), e extrema facilitação para empresas que lá queiram se instalar. Segurança absoluta: taxa de homicídios de 1,1 por cada 100 mil habitantes (32,4, no Brasil); inflação de 2,82% (no Brasil 6% em 2016); dívida pública de 9,82% do PIB (66% no Brasil); expectativa de vida 77,5 anos(75,5, no Brasil). Difere, apenas, no modelo de modernização, já que mantém as raízes árabes, em especial, no estilo das construções. Não há que se falar que as razões do desenvolvimento destes países são os petrodólares, porque a Venezuela detém a maior reserva mundial de petróleo e está na miséria.
E nós, infelizmente, andamos para trás, pois vivemos sob o império de uma quadrilha de ladrões instalada nos gabinetes em Brasília, segundo diz a imprensa e o Ministério Público Federal. O que fazer? Eis a questão, e enquanto isso, de beduínos, os árabes não têm mais nada!
ALMIR RODRIGUES SUDAN é advogado em Londrina
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