Eleitores foram acordados com propaganda pelo telefone
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domingo, 06 de outubro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
O Ministério Público pediu ontem a abertura de inquérito policial para apurar a responsabilidade penal de quem teria ordenado ligações telefônicas com propaganda eleitoral irregular para aparelhos celulares na manhã de ontem. O capitão da Polícia Militar (PM), Sérgio Dalben, recebeu o telefonema e gravou parte da mensagem ...''Para votar: Janene 1145...''
As mensagens foram feitas do telefone 3377-5900. Outro registro em um celular aponta que uma das ligações foi feita às 9h38 e teve duração de 30 segundos. Este número não consta do cadastro 102 da Sercomtel. Segundo o atendente do serviço, pode ser de um ramal telefônico, ligado indiretamente a um número de rede PABX (geral). Após a denúncia do capitão da PM, a promotoria pediu o bloqueio da linha telefônica ao juiz João Luiz Cleve Machado, que determinou o bloqueio. O engenheiro da Sercomtel, Hans Muller, cumpriu a ordem e a linha foi bloqueada entre 11h e 11h30 da manhã.
Já o inquérito foi solicitado à Polícia Federal (PF) pelas promotoras Edna Maria da Silva de Paula e Gildelena Alves da Silva. A Justiça Eleitoral também ordenou um mandado de busca e apreensão a aparelhos do suspeito esquema de emissão de mensagens, que estaria no Posto de Combustível Esperança, na Rua Jorge Casoni.
Segundo o promotor público Antônio Winckert de Souza, o endereço foi fornecido pela Sercomtel. O advogado de Janene, Leonardo Nogueira, monitorou o mandado de busca e apreensão. ''Meu cliente (Janene) não tem nenhum envolvimento nisto'', esclareceu. Não houve comprovação do fato e nada foi apreendido no local.
O deputado José Janene (PPB), candidato à reeleição, declarou que ''desconhecia a gravação'' e que a empresa de telemarketing que atuou na campanha para ele ''usou 10 linhas telefônicas somente para pesquisa''. Apesar disto, fez questão de dizer que ontem estava pessoalmente pedindo votos por telefone. ''Isso não é crime eleitoral. É um direito do candidato'', argumentou. Questionado sobre a relação de números de telefones que estaria utilizando, o deputado Janene ficou irritado. ''É uma lista do meu círculo de amizades. Ninguém tem nada a ver com isso'', respondeu o candidato.
O presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, afirmou: ''Não vendemos o mailing-list para ninguém''. Pereira não sabe como a empresa de telemarketing teve acesso a lista de telefones celulares e disse que tem consciência de que ''os usuários não querem ser incomodados''.


