Eleições promovendo o giro de dinheiro
A campanha eleitoral, além de ser um exercício de democracia, é também mobilizadora de dinheiro e contribui para a dinamização da economia. Na disputa por 5.563 cargos de prefeito e 52 mil de vereador, fortunas giram, servindo a produtores de mensagens publicitárias para rádio, televisão e vídeos e de publicidade nos diversos meios de comunicação, a gráficas, a confeccionistas de outros materiais de propaganda, ao transporte e aos distribuidores de ''santinhos''.
O discurso dos candidatos é repetitivo e genérico em conteúdo, e a curta mensagem dos postulantes às câmaras municipais é pouco convincente e às vezes ridícula, mas a prática eleitoral serve à causa da cidadania e inclusive ao trabalho temporário de gente desempregada. Este não é o maior atributo desses pleitos - que devem servir para o despertamento cívico do eleitorado e à tomada de consciência para a responsabilidade do ato de votar, mas é benéfico se observado também pelo ângulo da atividade econômica.
No Paraná, os candidatos a prefeito das duas maiores cidades - Curitiba e Londrina - já gastaram R$ 7 milhões, a quase totalidade na capital. O candidato à reeleição Beto Richa já gastou R$ 2.539 milhões e Gleisi Hoffmann R$ 2.505 milhões. Os gastos individuais dos demais candidatos foram bem mais baixos. Em Londrina, dos nove candidatos a prefeito, os que mais gastaram até agora foram Luiz Carlos Hauly, com R$ 509 mil, seguido de Barbosa Neto com R$ 256 mil, de André Vargas com R$ 174 mil e de Antonio Belinati com R$ 48 mil. Em Curitiba o candidato do PTdoB Lauro Rodrigues diz que sua ''campanha franciscana só gastou água e sola de sapato''.
Certos candidatos concorrem conscientes de que obterão poucos votos, mas o fazem com vista a eventual barganha com os que chegarem ao segundo turno (se houver) ou para afirmação do nome e concorrer, em eleições seguintes, a cargos de escalão mais baixo. Sob o aspecto aqui enfocado - do salutar giro de dinheiro nas campanhas eleitorais - o proveito é indiscutível. Uma verdade é que (pelas posses do candidato, pela contribuição dos partidos ou dos colaboradores, até onde a lei permite) as campanhas mais caras nem sempre são as vitoriosas. Ao menos, independente do peso do dinheiro, prevalece a vontade soberana do eleitor.





