Para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) as eleições ainda não terminaram. Além da realização de uma nova eleição em Irati, mais de 100 processos pedindo desde recontagem de votos até a anulação do pleito abarrotam as prateleiras do Tribunal. Em quase 25% dos municípios paranaenses há descontentes com o resultado de 3 de outubro, um número considerado elevado pelo TRE - o Paraná tem 399 municípios.
A cada dia chegam ao TRE novos processos vindos das comarcas - o prazo para requerer impugnação, recontagem ou anulação já terminou, mas as instâncias locais da Justiça Eleitoral que receberam os pedidos estão enviando só agora os processos. Levantamento solicitado pela Folha de Londrina à Coordenadoria Processual do TRE mostra que 70% destes processos pedem a recontagem de votos. Até agora, apenas Rancho Alegre do Oeste e Campo Magro tiveram seus pedidos deferidos. Em Irati, o TRE autorizou nova eleição.
O assessor de imprensa do TRE, Marden Machado, disse que os funcionários da instituição estão trabalhando em ritmo de eleições desde junho. ‘‘A correria começou com os recursos contra filiações partidárias, vieram os registros das candidaturas e os pedidos de impugnação, depois, já com o início da campanha, os pedidos de direito de resposta na campanha no rádio e na TV, registro de pesquisas eleitorais e pedido de suspensão destas pesquisas. Agora vêm estes pedidos de recontagem’’, relaciona.
Plantão Os pedidos normalmente estão sendo julgados durante as duas sessões semanais realizadas pelos juízes do TRE (às segundas e quintas-feiras). A assessoria informou que os juízes já estão realizando sessões extraordinárias para agilizar os julgamentos. Marden Machado disse que até o final deste mês serão realizadas 15 sessões, ao invés das oito mensais.
‘‘Vamos passar o Natal e o Ano Novo trabalhando, principalmente por causa da nova eleição em Irati’’, diz. O TRE continua fazendo plantão aos finais de semana. Marden Machado disse que os juízes pretendem concluir os julgamentos dos processos antes da posse dos eleitos, dia 1º de janeiro. ‘‘É uma verdadeira corrida contra o tempo’’, diz. Mas muitos casos deverão ficar pendentes.
Em relação aos processos das eleições de 1992, a Coordenadoria Processual informou que o número é praticamente equivalente ao deste ano. Além do presidente, desembargador Luiz José Perroti, o TRE tem seis juízes e uma procuradora geral da República, Denise Vince Tulio, para decidir sobre os processos.
Machado disse que a maioria dos juízes fez jornada dupla de trabalho durante o período eleitoral. ‘‘Temos um que também é juiz federal, outro que é juiz da Vara da Família, o presidente do TRE, que continua desembargador do Tribunal de Justiça. Eles acumularam funções’’, explica. Machado diz que a equipe tem trabalhado, em média, 15 horas por dia, já que os juízes levam trabalho para casa.

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