A cerimônia de apresentação da logomarca da Copa de 2014, ontem, na África do Sul, apresentou maravilhas do Brasil, num espetáculo singular que também salientou talento artístico e competência na organização. A emoção contagiou a todos, do garoto humilde da periferia, que assistiu pela tv, ao presidente Lula, que fez um belo discurso.

Agora, por favor: não é possível concordar com uma frase do texto lido nas tvs. O texto diz que as eleições no Brasil são democráticas. Deus do céu! Se as eleições no Brasil são democráticas, temos, todos, que rever nosso conceito de democracia. As eleições no Brasil não são democráticas. O ato de votar é livre - relevando-se o fato de o voto ser obrigatório. A eleição emprega tecnologia de ponta, que assegura a legitimidade da escolha e blindagem das urnas. Mas o processo político e eleitoral, no sentido macro, é cheio de distorções, interesses e negociatas, desde a escolha do pré-candidato. Tanta imoralidade não pode ter nada de democrático.

Afirmar que campanhas eleitorais no Brasil são permeadas pelo princípio democrático é agredir o verdadeiro sentido de democracia. Mais triste é saber que esta coisa toda tem o respaldo da legislação eleitoral, feita pelos mesmos políticos - detalhe que foi lembrado ontem à tarde por um leitor de Londrina. Mas o que a lei prescreve - e ela é eficaz em muitos pontos - não é colocado em prática, principalmente quando contraria interesses do Poder, que não é fiscalizado. Ninguém segura as constantes violações da lei.

Não pode haver democracia numa eleição em que se usa a máquina administrativa de maneira escancarada. Há várias formas de desrespeito ao princípio da cidadania: a compra indireta de votos que transforma programas sociais em moeda de troca, enfim, exemplos não faltam.

O exemplo do Paraná. Não pode ser democrática uma eleição que aceita um composiçao ridícula como a espelida no Paraná, para escolha do candidato indicado pelo governo federal. Como diz um leitor desta FOLHA: ''Não é deglutível nem digerível, mas vamos tentar entender o que leva a este fisiologismo paranaense inusidado e capacho''.

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