As eleições de 2018 já apontaram uma quebra de paradigma na forma de fazer campanhas. Elas mostraram a força do marketing digital na trajetória para levar os candidatos com menos dinheiro ou tempo de TV para a vitória.

Quando o processo eleitoral de 2018 terminou confirmando o então candidato Jair Bolsonaro à presidente da República, falava-se em um fenômeno chamado “novo voto” para explicar por que o tempo maior de televisão deixou de ser sinônimo de vitória.

E na época os políticos, marqueteiros, especialistas, cientistas políticos e jornalistas se perguntavam se o fenômeno também seria utilizado em 2020 na corrida dos candidatos às prefeituras.

Mas eis que surge a pandemia da Covid-19 para, certamente, mudar novamente os paradigmas. A começar pelo adiamento da data de eleição e de outros prazos ligados ao processo.

Se o modelo tradicional de conquista do voto mudou em 2018, em 2020 o distanciamento social vai provocar uma nova modelagem. Afinal, quem poderia imaginar uma campanha eleitoral sem a tão conhecida política do “corpo a corpo”?

É certo que a realidade da pandemia com o necessário distanciamento social será fator importante na definição de novas estratégias de comunicação com o eleitor, seja digital ou pelas ferramentas tradicionais. Afinal, é preciso vencer o distanciamento e também ampliar as chamadas “bolhas ideológicas” para conquistar mais público e votos.

A mudança de paradigma das próximas eleições foi tema de reportagem da FOLHA no último final de semana. As alterações já começam com os prazos, porque a campanha terá início em 27 de setembro, apenas 49 dias antes da data da votação para o primeiro turno, 15 de novembro.

Sem aglomeração, a batalha pelo voto será travada majoritariamente no ambiente virtual? Mas como ficam os eleitores que têm pouco acesso ao mundo digital?

Assim como aconteceu em 2018, preocupa a disseminação de notícias falsas. A legislação está mais rigorosa, as ferramentas estão mais atentas para retirar conteúdos ou banir perfis falsos e personalidades que espalham conteúdos mentirosos, mas o cidadão precisa se engajar nessa campanha por uma eleição limpa, entendendo que as fake news produzem efeitos nocivos ao regime democrático e à convivência pacífica em uma sociedade plural.

Obrigado por ler a FOLHA

mockup