Autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral desde 2010, as doações de recursos para campanhas eleitorais pela internet ainda não emplacaram. Poucos candidatos fazem uso desse recurso, como abordado ontem em reportagem desta FOLHA, e, mesmo assim, a quantia recebida ainda é considerada baixa. Dos oito candidatos ao governo do Estado, apenas um deles adotou a prática.
Importante esclarecer que para fazer a doação, é preciso seguir regras estabelecidas pela Justiça. O doador precisa identificar seu CPF ou CNPJ e o site deve emitir um recibo. Os valores máximos seguem as mesmas regras da doação em dinheiro, cheque ou depósito bancário: 10% dos rendimentos de pessoa física ou 2% do faturamento da pessoa jurídica obtidos no ano anterior à eleição.
A baixa adesão a essa modalidade de financiamento pode indicar o quanto os brasileiros querem distanciamento das ações políticas e não querem ter seu nome vinculado a um candidato ou partido político. Só para citar um exemplo, o presidente norte-americano Barack Obama arrecadou mais de US$ 650 milhões em doações para a sua primeira eleição, em 2008. Pelo menos metade desse valor correspondeu a doações de menos de US$ 200 feitas pela internet.
Doações de valores pequenos são importantes porque indicam a mobilização do eleitorado e o seu envolvimento na campanha. Importante ressaltar que nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, o voto não é obrigatório. Por aqui, o que se constata é um momento de "quase saturação" com a política.
As manifestações populares ocorridas no ano passado indicam isso, além dos constantes escândalos de corrupção, desvios de dinheiro da administração pública ou mau uso desses recursos.
Os candidatos devem assimilar esses sinais dos eleitores e mudar os rumos da política nacional. Conferir mais austeridade e seriedade no trato com recursos públicos é importantíssimo até para garantir mais transparência a todos os processos. Também a população deve voltar a participar da vida pública, reclamar depois será tarde demais.

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