Eleições e Inteligência Artificial
Algoritmos de IA conseguem adaptar mensagens falsas a públicos específicos, explorando medos, crenças religiosas e pautas morais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Algoritmos de IA conseguem adaptar mensagens falsas a públicos específicos, explorando medos, crenças religiosas e pautas morais
Folha de Londrina 
A IA (Inteligência Artificial) permite a produção massiva, rápida e barata de conteúdos falsos, que podem ser textos, imagens, áudios e vídeos, em um volume impossível de ser enfrentado pelos mecanismos tradicionais de checagem. Isso não é uma novidade. Mas, em período eleitoral, como o que se aproxima no Brasil, o tempo é decisivo e preocupa o fato de que a mentira pode circular milhões de vezes antes de ser desmentida, moldando percepções e votos.
Foi nesse sentido o alerta que a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fez na terça-feira (27), ao abrir um seminário sobre desinformação, segurança e comunicação no processo eleitoral.
Durante a palestra, a ministra observou que as tecnologias não são más em si, dependendo do mau uso que se faz delas para provocarem o dano. “Nenhuma dúvida que as tecnologias podem levar à contaminação de eleições, pela captura da vontade livre do eleitor, com as mentiras tecnologicamente divulgadas”, avaliou.
Em outro momento, Cármen Lúcia criticou “pessoas que tentam de alguma forma contaminar a vontade do eleitor para conduzir a um resultado”. Ela defendeu a necessidade de assegurar que a eleição seja um processo "pelo qual cada eleitora e cada eleitor livremente escolhe seu representante, sem que se submeta nem a pressões externas, nem a ataque a sua liberdade de escolha”.
O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Neste ano, os eleitores devem votar para os cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
No momento, o TSE promove um consulta pública sobre as regras eleitorais deste ano, que devem ser aprovadas pelo tribunal até 5 de março. Entre os temas debatidos está o combate à desinformação no processo eleitoral.
Neste pleito há uma preocupação com vídeos e áudios hiper-realistas, gerados por IA, que colocam em xeque a noção de prova visual e sonora. Quando qualquer candidato pode ser “flagrado” dizendo algo que nunca disse, a verdade vira opinião e a confiança nas instituições, na imprensa e no próprio processo eleitoral se deteriora.
Algoritmos de IA conseguem adaptar mensagens falsas a públicos específicos, explorando medos, crenças religiosas, pautas morais ou preocupações sobre temas regionais. Isso transforma a fake news em uma arma psicológica personalizada, capaz de influenciar decisões individuais.
É importante ressaltar que o combate à desinformação não significa censura, mas proteção do debate público. A democracia depende de liberdade de expressão, mas também de um mínimo de compromisso com fatos verificáveis.
Justiça Eleitoral, Congresso, plataformas digitais, imprensa e sociedade civil precisam fazer parte de uma ação conjunta. Sem coordenação e transparência, a próxima eleição corre o risco de ser decidida não por ideias, mas por algoritmos.
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