Eleições e corrupção
A sociedade clama por mudanças na legislação política. A insatisfação, que já ocorria, começou a ficar mais evidente em junho do ano passado durante os protestos populares. Reforma política e mudanças nos órgãos de controle estavam entre os itens da pauta de reivindicações, mas assim como vários outros temas nada foi feito. Agora, a "corrupção política" volta à pauta da agenda nacional com o lançamento de um livro que explica a conexão entre financiamento das campanhas com atos de improbidade que penalizam a população.
A corrupção é uma prática que precisa ser extirpada da vida pública. Enquanto políticos, servidores e empresários estiverem interessados apenas em conchavos e em acordos para desviar verbas públicas o desenvolvimento não pode ser pleno. É por isso que falta dinheiro para melhorar a saúde, a educação, a segurança pública e para obras de infraestrutura que o País tanto precisa. E, nesse ponto, o eleitor precisa fazer a sua parte.
A primeira questão é votar conscientemente. Indicar candidatos que oferecem favores e vantagens pessoais é não pensar no todo, no bem comum. Outro ponto é acompanhar os trabalhos dos eleitos. Nesse quesito o brasileiro também é omisso porque não se preocupa em fiscalizar. Aliás, grande parte dos eleitores sequer se lembra em quem votou. A maturidade política tem que vir a partir da fiscalização, da cobrança aos eleitos.
Ainda é preciso pressionar por mudanças na legislação. O juiz eleitoral Marlón Reis, autor do livro "O Nobre Deputado", aponta falhas na lei eleitoral, como a inexistência de instrumentos adequados para fiscalizar as contas dos candidatos. Financiamento público de campanhas ainda não é unanimidade, mas é preciso definir regras mais rígidas. Recursos destinados aos candidatos não podem continuar a ser uma "caixa preta" das campanhas. É preciso garantir mais transparência ao processo eleitoral até para coibir atos futuros de corrupção. A sociedade quer mudanças, mas também é preciso que cada um faça a sua parte.





