Eleições Dólar e real Aumento de juros Juventude
Minha terra tem políticos e politiqueiros, / onde mora um povo simples. / A esperanã é a canção dos oprimidos, / Mas muitas vezes eles emudecem. /Meu País tê muitas belezas, / destas difíceis de serem descritas, / mesmo imperando a injustiça,/ existem aqueles que acreditam. /Num futuro melhor e próximo, / pois é chegado a hora. / A eleição se aproxima, quem sabe... / Os politiqueiros possam ir embora. / O povo que ora e pede, a Deus um grande milagre, / para que o próximo governante, / possa ter mais humidade. / Que do povo não esqueça, / e por ele se compadeça. / Para que, quem sabe um dia, / realmente a igualdade prevaleça.
ANDRÉIA ROSA DA SILVA, Bentópolis.
Suponha-se que, em 1994 (governo Itamar), quando lançamento do Real pelo ministro Ricúpero, um brasileiro determinado mantivesse R$ 70 mil em caderneta de poupança. Sabem a quantos dólares corrrespondia a quantia? A exatos US$ 140 mil. Imaginando-se que, em razão de algum milagre, a dita poupança houvesse crescido para R$ 80 mil, a quantos dólares equivaleria hoje? Escrevo com o dólar ainda a R$ 4 e, portanto, é fácil fazer a conta: hoje comprariam, no novo valor de R$ 80 mil, a bagatela de US$ 20 mil. Entretanto, o simulacro de governo que nos arrastou a este fundo de poço anunciou, há pouco, ter a intenção de fazer incidir o imposto de renda sobre os desprezíveis ''rendimentos'' da caderneta, até agora isentos. E são esses picaretas que querem impingir-nos Serra como sucessor e continuador do deplorável Fernando 2º.
ALCINDO NOLETO RODRIGUES, Brasília.
Alegando que precisava retirar no mínimo R$ 14,2 bilhões de circulação para combater a inflação, que já bate os números prometidos ao FMI, e para conter a especulação com o dólar, cuja cotação já se aproxima dos assustadores R$ 4, o moribundo governo Cardoso convocou uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária no último dia 14 e, na sequência do pacote decretado na sexta-feira, limitando em 30% o comprometimento máximo do patrimônio dos bancos em operações vinculadas ao dólar, elevou de 18% para 21% ao ano a taxa de juro, aprofundando, ainda mais, o quadro recessivo do nosso País. Vale destacar que, ainda naquele dia, embora tenham sido pegos de surpresa, os especuladores resolveram desafiar o governo e, contrariando as expectativas do senhor Armínio Fraga, elevaram a cotação do dólar em mais 1,05%, comerciando-o a R$ 3,86 para preparar o índice que orientou a renegociação dos títulos da dívida no valor de mais de US$ 3,5 bilhões, vencidos em 16/10. De concreto, mesmo, a medida do governo Cardoso só conseguiu promover a explosão das taxas de juros, que passaram de 21,6% para 23,28% ao ano, fazendo a tristeza dos industriais, comerciantes e, sobretudo, dos consumidores e, ao mesmo tempo, a festa dos banqueiros credores da dívida pública, que (graças ao aumento para 21% na taxa básica de juros decretada pelo governo Cardoso) crescerá R$ 750 milhões por mês - a bagatela de R$ 9 bilhões no ano. Cálculos iniciais indicam que, ao ampliar a alíquota do recolhimento compulsório 48% para 53% - dinheiro que é remunerado pelo Banco Central a uma taxa anual de 8% - o governo Cardoso vai ''dar'' de presente aos banqueiros aproximadamente R$ 480 milhões por mês, implicando num ganho anual de R$ 5,78 bilhões. Ficando bem clara sua posição de presidente dos banqueiros, e, ainda adverte Lula pela crítica ao aumento de juros, indelicadamente disse que Lula não tem domínio do assunto. De ''luva de pelica'' chama Lula de ignorante. E tem gente que luta de ''unhas e dentes'' para dar um terceiro mandato para essa turma que protege os grandes grupos econômicos, onde ''o luxo da minoria constitui um insulto à miséria da grande massa''.
ANTONIO CARLOS DE MELO, Porecatu
Tantas dúvidas que poderia ter expressado, mas não, fico remoendo como se fosse um conflito particular quando sei que, na realidade, são sensações de toda uma geração que se sente descolada do tempo, que vive o presente com saudade de tempo que não viveu, sentindo que a não aceitação não tem alternativas, tudo velho, tudo ultrapassado. O socialismo não deu certo, a ditadura acabou, os hippies viraram empresários e política é tabu para a juventude atual. Sem alternativas, viramos um monte de informação inerte, e nada melhor que o termo morangos mofados, de Abreu, para explicitar melhor esta sensação. Então chega o sabadão, maravilha, vou beber e cantar Raul, Elis, Beatles, Janis, Gil, Caetano e Cazuza. Afinal é o que nos resta, pois somos parte de uma minoria que, às vezes, preferiria ter vivido a ditadura e toda a violência explícita, mas sentido a indignação das pessoas, a vontade de transformação, a potencialidade, o quase lá. Agora, tão distante, sentimos tão esmagadoramente nossa pequenez, vivemos isolados em nosso mundinho, vendo o que acreditamos ser engolido por essa massa gigantesca de apatia, conformismo e futilidade, e assim, sem termos uma identidade, vamos vagando, sem conseguir transformar nada, vamos nós mesmos nos consumindo, alterando picos de alegria com crises profundas..., vivendo na corda bamba, na indecisão, sem aceitar a tão aclamada razão que destrói o mundo, que dorme tranquilamente alimentado e aquecido mesmo sabendo que um terço da população vive numa miséria absoluta, chorando quando o Globo Repórter faz uma reportagem sobre as crianças africanas e passando sem perceber pela favela na esquina de nossas casas. Pois é, ''Ideologia, eu quero uma para viver''.
BRUNA MURIEL HUERTAS FUSCALDO, Londrina





