Eleições americanas não mudam relações com o Brasil
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quinta-feira, 02 de outubro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Independente de quem vencer as eleições norte-americanas, as relações entre Estados Unidos e Brasil continuarão firmes e em desenvolvimento. É o que prevê o cônsul para assuntos políticos do Consulado Geral dos Estados Unidos da América em São Paulo, David Brooks. Cônsul no Brasil há três meses, Brooks esteve esta semana em Londrina, em sua primeira visita a uma cidade interiorana, e falou com exclusividade à FOLHA.
Sobre a crise econômica que atinge os EUA e sacudiu mercados mundo afora, Brooks se mostrou convicto de que o país vá superar o mau momento e ainda aproveitar as dificuldades para descobrir novas alternativas de mercado. ''É uma questão de tempo''.
O senhor tem acompanhado a cobertura da mídia local em relação às eleições nos EUA?
Tenho observado que Obama vem sendo considerado um candidato muito interessante para os brasileiros. Mas temos dois candidatos excelentes para a presidência dos Estados Unidos. Temos um homem que é eloquente, jovem e que traz novas idéias, e outro que é conhecido por sua independência, é experiente e um verdadeiro herói norte-americano, que sofreu por seu país durante uma guerra. São duas alternativas bastante boas, uma decisão difícil para os cidadãos, mas no bom sentido. No último debate eles discutiram com muito respeito, com diferenças e ofertas claras para os eleitores.
É excessivo ou justificado este acompanhamento dos brasileiros em relação à política norte-americana?
Sou 100% a favor do interesse dos brasileiros nas eleições dos Estados Unidos e também do interesse dos americanos no Brasil. Não considero excessivo. É normal, natural e inteligente, porque é importante conhecer as pessoas que vão ser líderes de um país. Acho que é um dever de qualquer cidadão do mundo, e sobretudo de qualquer cidadão que tem o privilégio de viver em uma sociedade democrática, aproveitar as possibilidades e seguir os acontecimentos nos outros países.
Como o senhor avalia a rejeição pela Câmara do pacote de US$700 bilhões proposto pelo presidente Bush?
Houve nos Estados Unidos um excesso de especulação nos mercados de imóveis e estamos trabalhando para solucionar isso, mas é algo que requer tempo. Pessoalmente, creio que o processo que vimos quando a primeira proposta foi rechaçada pelo Congresso não é necessariamente mau, porque é um processo transparente. E há um trabalho conjunto do Congresso, do presidente e do Banco Central em tentar chegar a uma solução sustentável, para ajudar os bancos a criar mais liquidez para superar os desafios. Na história mundial há muitos exemplos de fases de especulações que criam problemas. Tenho confiança que vamos superar este desafio. É uma questão de tempo.
Apesar de ter sido aprovado pelo Senado, muita gente interpretou a não aprovação do pacote por parte da Câmara como uma decisão política. O senhor concorda?
Acho que se os congressistas tinham dúvidas em relação ao pacote, era mesmo melhor não continuar o processo de negociar. Para se ter um bom pacote, às vezes ajustes são necessários. Obviamente é parte da política, mas a política é necessária, já que eles representam os eleitores e alguns eleitores tiveram dúvidas. Considero um processo assim, transparente com alguns ajustes, melhor do que um pacote. E em qualquer desafio econômico sempre há oportunidades. Agora os americanos têm a oportunidade de desenhar uma melhor regulamentação para o setor bancário. E os brasileiros têm a oportunidade de investir nos Estados Unidos.
De que forma as eleições americanas podem afetar o Brasil e suas relações com os EUA?
As bases das boas relações entre Brasil e Estados Unidos são tão fortes que não dependem nem de um candidato nem de outro. É possível que haja uma ênfase diferente em relação à América Latina, mas as parcerias que temos agora, os interesses comuns como a paz no Haiti, o desenvolvimento de novas fontes de energia, as trocas internacionais, o comércio e o turismo superam limites ideológicos de partidos. São resultado dos interesses fundamentais comuns entre dois grandes países do nosso continente. Então eu acho que é importante para os brasileiros seguir a campanha presidencial dos Estados Unidos, mas não é preciso se preocupar porque os fundamentos e as bases de nossas relações são muito fortes e vão desenvolver-se mais em qualquer administração, seja o governo de Mc Cain, seja o governo de Obama. É inevitável.


