Eleições 2014: melhorar o voto ou os políticos?
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sábado, 04 de outubro de 2014
Francisca Vergínio Soares 
Os candidatos para as eleições majoritárias no Brasil, nos diferentes níveis, não conseguiram deixar claro seu projeto de governo. Acompanhei os debates na TV e a propaganda no horário eleitoral e o que se constata é que esses momentos que deveriam servir para esclarecer o eleitor sobre propostas de como melhorar o País serviram, na verdade, para um festival de acusações e falas vazias.
Ao falarem dos problemas do Brasil, principalmente os candidatos que se polarizam, a impressão que se tem é que não se trata do mesmo país em que vivo, visto que os reais problemas fogem dos debates, como é o caso da segurança pública em que não se toca na crise do sistema prisional, do aumento da criminalidade envolvendo jovens e adolescentes, do caos da saúde pública. Em relação ao tráfico de drogas, o problema tem se intensificado e arrastado cada vez mais o segmento infanto-juvenil na prática de crimes diversos. No entanto, muito pouco se faz pelos representantes eleitos que parecem ignorar o problema. O tráfico de drogas é o que considero a nova violência não só em nível nacional, mas planetário já que atinge a todos indistintamente o que o torna no mal do século 21. Fica claro que tais assuntos são o que sustenta a estrutura social de qualquer sociedade e é também o fio condutor de todo programa de campanha política.
A pergunta que se evidencia é: qual o comprometimento real dos políticos com essas temáticas? Se os problemas persistem a cada eleição, então, a constatação óbvia é que após eleitos as pautas são arquivadas para a próxima eleição.
Pergunta-se: esses indivíduos que daqui a pouco comporão o novo Executivo e o Legislativo estadual e o federal querem mesmo mudar o país, principalmente os componentes do Poder Legislativo, já que resistem em aprovar leis que possam beneficiar os segmentos mais carentes da sociedade brasileira? Os pretensos representantes do povo, pagos pelo povo, não deveriam estar apresentando propostas específicas aos temas acima elencados que assola o cotidiano social?
Esta eleição se insere numa conjuntura marcada por escândalos políticos em várias áreas e no esforço da sociedade civil em se organizar para reivindicar melhorias na qualidade dos serviços oferecidos aos cidadãos. Exemplo disso foi o movimento do passe livre que se estendeu por todo o país no último ano. Como atingir essa melhoria se não melhorarmos antes a qualidade dos poderes nos seus diferentes níveis, por meio dos indivíduos que os compõem?
Há duas questões, é o voto do cidadão que deve ser melhorado ou é o candidato que deve ter qualidades inquestionáveis para exercer a política? Max Weber, sociólogo alemão, diz: "Há dois modos principais pelos quais alguém pode viver da política a sua vocação: viver 'para' a política ou viver 'da' política. Quem vive 'para' a política faz dela a sua vida. Quem luta para fazer da política uma fonte de renda permanente vive 'da' política como vocação, ao passo que quem não age assim vive para a política. Três qualidades destacadas são decisivas para o político: paixão, senso de responsabilidade e senso de proporções. Uma ética de fins últimos e uma ética de responsabilidade não são contrastes absolutos, mas antes suplementos, que só constituem um homem genuíno um homem que pode ter a 'vocação' para a política".
Vê-se, portanto, segundo Weber, que o problema não é o eleitor que não sabe votar, mas os políticos que nos são oferecidos é que não têm qualidade, visto que em sua maioria absoluta opta por fazer da política uma fonte de renda permanente e ignora o essencial: viver para a política.


