Eleições 2014 e qualidade legislativa
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de março de 2014
Francisca Vergínio Soares 
Quatro anos passaram rápido e 2014 é o ano em que voltaremos às urnas para elegermos o presidente da República, governador, senador (um por estado), deputados federais e deputados estaduais. Interessante observar que não há muitas opções nos diferentes níveis, os nomes são sempre os mesmos, ora eram governadores que viraram senadores e vice-versa e que planejam voltar aos cargos que já ocuparam.
Não obstante os nomes serem sempre os mesmos, os problemas que angustiam a população brasileira também são sempre os mesmos. Ora, não deveria ser o contrário? Ou seja, entra eleição, sai eleição, formam-se os governos e os problemas, velhos conhecidos dos quase todos reeleitos, não cessam. Será falta de vontade política? Ou será que a qualidade dos nossos legisladores precisa melhorar? Ou então, "forças ocultas" impedem que ações concretas, como projetos na área da saúde, segurança e educação sejam prioridades na pauta dos eleitos?
Nos dois últimos anos realizamos duas pesquisas, ambas financiadas pela Faculdade Uninorte, onde se procurou verificar, sob a ótica dos eleitores, a atuação dos representantes londrinenses.
Interessante que os temas priorizados pelos entrevistados seguem uma ordem: saúde, segurança e educação, estes temas têm sido bandeiras políticas em todas as eleições, seja no plano nacional, estadual ou municipal. Dentre vários temas tratados, a pesquisa perguntou aos entrevistados quais eram os principais problemas em suas regiões e a ordem das respostas foi: saúde, segurança, educação, violência, desemprego, tráfico de drogas, falta de asfalto, má iluminação pública, lixo, matagal, transporte público ruim ou falta dele, falta de lazer, falta de creches, entre outros.
A pergunta que se evidencia é: sendo temas que elegem candidatos diversos, porque continua na ordem do dia no que se refere a ausência de políticas públicas que possam dirimir tais problemas? Qual o comprometimento real dos políticos com essas temáticas? Se os problemas persistem a cada eleição então a constatação óbvia é que após eleitos são esquecidas as promessas repetidamente defendidas em épocas eleitorais.
Como resposta de como melhorar a qualidade dos legisladores, os entrevistados foram unânimes em apontar a obrigatoriedade dos políticos e seus familiares de utilizarem o serviço do SUS e seus filhos frequentarem a escola pública, fim da impunidade, o fim das mordomias (auxílio moradia, auxílio paletó, auxílio maleta, direito de quatro passagens aéreas/mês, vales combustíveis, etc.), o voto não deve ser obrigatório, diminuir a quantidade de políticos, fidelidade partidária entre os políticos, não permitir a reeleição de políticos que tenham se envolvido com ilícitos penais, obrigatoriedade dos candidatos frequentarem cursos de formação política, candidatos devem passar por curso para aprender noções de cidadania, diminuir o número de partidos políticos, ter um melhor controle das verbas públicas, exigir ética na política, etc.
A opinião que nutrem dos políticos são: desonestos, corruptos, usurpadoras do dinheiro público, ruins, regulares, poucos entrevistados os colocam numa posição de bons, ótimos e éticos, por fim, outros adjetivos lhes são atribuídos: ladrões, infiéis ao eleitor, oportunistas, políticos profissionais, mentirosos, legislam em causa própria, etc.
Enfim, a qualidade de nossos legisladores está aquém do que se espera e isto é notório quando se constata a realidade dos serviços públicos oferecidos à população. Uma boa qualidade dos legisladores implica antes de tudo numa boa qualidade da participação política dos cidadãos, principalmente na escolha de seus representantes por meio do voto.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é presidente do Observatório Social Londrinense (Obsocil)


