Eleição para reitor da UEM - Angelo Priori
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de agosto de 1998
Angelo Priori 
No dia 27 de agosto próximo haverá eleição para Reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Um fato de suma importância para a Universidade, principalmente nesse momento que estão sendo implantadas, no país, políticas que visam desmantelar a coisa pública e revogar direitos sociais conquistados ao longo desse século que finda.
Na UEM o processo de eleição para Reitor ganhou conotação diferente do que ocorreu recentemente na UEL e na UEPG. Nestas, os atuais Reitores se candidataram à reeleição e se reelegeram. Na UEL por decisão interna. Na UEPG por força de Lei Estadual. Na UEM, ao contrário, depois de uma longa discussão interna, o Conselho Universitário não aprovou a possibilidade da Reeleição.
Definida as regras do processo, duas chapas se apresentaram para a disputa: a chapa SER UEM, de situação, tem como candidata à Reitora a atual Vice-Reitora, Profª. Neusa Altoé. Na oposição, a chapa OPÇÃO DEMOCRÁTICA tem como candidato à Reitor o Prof. Luiz Alberto de Araújo.
Ao longo dos últimos 27 anos a Universidade Estadual de Maringá se consolidou como uma Universidade voltada sobretudo para o Ensino e a Pesquisa. Vários cursos de graduação alcançaram nota máxima na avaliação do MEC e diversos grupos de pesquisas são reconhecidos internacionalmente pela excelência da pesquisa que produzem, além de outros tantos grupos emergentes que começam a se destacar em âmbito nacional. Resultado disso foi o fato da SBPC definir a UEM como sede de sua 6ª Reunião Especial, que esse ano discute As Cidades de Porte Médio.
Devemos aproveitar esse patrimônio inestimável conquistado pela UEM para dar um novo salto de qualidade. Mas isto requer reformas profundas no ensino, na organização administrativa e na gestão financeira. Cabe ao futuro Reitor tomar essas medidas procurando estruturar administrativa e financeiramente a Universidade, tornando-a mais ágil em sua burocracia e visando atender as demandas crescentes por um ensino superior de qualidade, desenvolver pesquisas científicas e culturais voltadas para as necessidades da sociedade e implementar uma política de extensão, cultural e artística.
No mundo todo, Universidades de qualidade e a pesquisa nelas realizadas são financiadas primordialmente pelo governo, respeitando a liberdade acadêmica. Mesmo nos Estados Unidos, onde se propala a eficiência do Ensino Privado, 80% dos alunos do ensino superior estudam em Instituições Públicas e as pesquisas desenvolvidas nas melhores Universidades privadas são financiadas quase que exclusivamente pelos governos Federal e Estaduais. No Brasil, o modelo de eficiência ainda é e continuará sendo por um bom tempo a Universidade Pública. Qualquer Reitor que venha defender tese contrária estará colocando em risco o futuro da Universidade Pública, Gratuita, Democrática e de qualidade.
Além disso, faz-se necessário lutar pela implementação da verdadeira autonomia universitária e uma definição rigorosa do financiamento de suas atividades. Somente com autonomia efetiva as Universidades poderão formular um plano estratégico de longo prazo, voltado para o ensino, a pesquisa e a extensão, que ultrapasse as políticas imediatas e cotidianas elaboradas por essa ou aquela administração. É evidente que a autonomia pressupõe responsabilidade frente ao orçamento definido e frente ao desempenho científico. E aqui entra a questão do mérito: quem produzir mais e melhor terá mais recursos. Quem não produzir, pouco futuro terá na instituição. Isso quebra o corporativismo reinante dentro das Universidades e projeta novas relações determinadas pela excelência da produção acadêmica e pela qualidade do ensino ministrado.
Esperamos que o futuro Reitor da UEM perceba o momento crucial que vive a Universidade Pública e Gratuita brasileira nesse limiar do século XXI e implemente políticas baseada nos valores acadêmicos e de ensino, capaz de formar lideranças intelectuais e de integrar a Universidade com a sociedade.
- ANGELO PRIORI é professor do Departamento de História da UEM e presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (Aduem)


