Eleição: exercício democrático e transtorno
São muitos os defensores da coincidência de eleições, evitando-se a periodicidade bienal ora vigorante, que para os brasileiros (e vale para qualquer campanha eleitoral) é mais um transtorno que um exercício democrático. Este 2008 é ano eleitoral e os pré-candidatos a prefeito já se movimentam. Reportagem de ontem da jornalista Catarina Scortecci, da sucursal da FOLHA em Curitiba, informa que duas dezenas de deputados estaduais já se habilitam a concorrer às prefeituras dos respectivos municípios. Em Londrina, pelo menos cinco candidatos potenciais já levantam suas bandeiras: os deputados estaduais Antonio Belinati e Luiz Eduardo Cheida e os federais Alex Canziani, André Vargas e Luiz Carlos Hauly. Eles são ''eternos'' candidatos em qualquer pleito que venha pela frente.
Este é também o derradeiro ano de mandato dos prefeitos e vereadores e poderá ser um período de esforço extra para mostrar realizações. No caso dos prefeitos, eles irão raspar o fundo do tacho das verbas disponíveis e aplicá-las onde for possível. Quem está no poder e não visa reeleição, foca suas vistas em outros cargos eletivos futuros, porque daqui a dois anos tem mais eleição, dessa vez para deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Ou, se não pensa nisso, pode desejar eleger um sucessor do mesmo partido, o que significa também uma forma de prestígio. A reportagem mostra sinais de que o ano será de pouca produtividade na Assembléia Legislativa por conta da faina eleitoral.
Se o rendimento já não era grande, os deputados tenderão a apresentar e discutir projetos de repercussão momentânea, no entender do analista Antonio Celso Mendes, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, citado na reportagem. Eles correrão para diante das câmeras e debaixo dos holofotes. Um novo palco de campanha dos deputados candidatos a prefeito ou que apóiam parceiros será a TV recentemente inaugurada na Assembléia. A disputa, como todas as outras, deverá ser ferrenha também com vista às câmaras municipais, não tanto por espírito público e o ideal de servir e sim porque se trata de um excelente emprego. Quem contestar que isto não é levado em conta (em muita conta) já começa mentindo ao eleitorado. Esse anseio primordial não é apenas desses candidatos específicos e sim de todos os que buscam eleger-se pela primeira vez ou reeleger-se.
O analista mencionado declara que a política se tornou uma atividade rentável e que a tendência é os políticos se eternizarem no poder, porque eles sempre têm mais chance que os candidatos estreantes. Ele propõe, e com sentido, uma reforma da legislação, de modo a evitar isso. O ideal seria que o mandato dos eleitos para cargos legislativos tivesse a mesma duração dos mandatos executivos. Estes nove meses que antecedem as eleições (que serão dia 5 de outubro, em primeiro turno) são um tempo precioso para os eleitores avaliarem seus candidatos. Prefeitos que tiveram fraco desempenho e vereadores carreiristas não merecem ser reeleitos.





