Quando tornou-se primeira dama do Paraná, Regina Pessuti, mulher do ex-governador Orlando Pessuti, reuniu um grupo de jornalistas para um encontro de aproximação e confidenciou que o sonho de toda a esposa de deputado é ver o cônjuge tomar posse no Tribunal de Contas (TC) do Estado. A afirmação de Regina era uma confidência. Pessuti foi eleito conselheiro do Tribunal, mas desistiu do cargo para tornar-se vice do governador Roberto Requião. Ele assumiu a chefia do Executivo paranaense por um período de oito meses quando Requião se candidatou ao Senado Federal. O alto salário e a segurança do cargo justificam o desejo das esposas de deputados. Quem não sonha com uma remuneração mensal de R$ 24 mil até o fim da vida, lembrando que o valor é mantido com a aposentadoria?
A modalidade de escolha de um novo conselheiro do TC ganhou repercussão por conta de um protesto realizado por cerca de 300 pessoas, na noite de quinta-feira, no Centro Cívico. Está em jogo a vaga deixada por Hermas Brandão, que se aposentou recentemente, ao chegar à idade limite de 70 anos. Os manifestantes são contra a indicação de políticos para o cargo de conselheiro e querem que os parlamentares não vote nos dois deputados que concorrem à cadeira, Fábio Camargo (PTB) e Plauto Miró (DEM). Eles são os favoritos entre 45 inscritos para ocupar a vaga em aberto no órgão. São profissionais de diversas áreas, entre elas, Direito, Ciências Contábeis, Economia e Segurança Pública.
Reputação ilibada e idoneidade moral são pré-requisitos para o cargo. Os nomes que forem aprovados serão submetidos ao plenário da Assembleia Legislativa. Ganha quem obtiver maioria entre os 54 deputados estaduais, ou seja, 28 votos. A votação é secreta e como vem acontecendo ao longo da história, os deputados seguem orientação política. Além das vagas decididas pela Assembleia Legislativa, há lugar para técnicos indicados pelo próprio Tribunal e também cadeiras ocupadas por indicação do governador.
O TC tem o importante papel de fiscalizar a aplicação do dinheiro público, tanto por parte do governo estadual, quanto por parte dos 399 municípios paranaenses. O momento é bem interessante para se discutir o processo de escolha dos conselheiros. Na teoria, o formato é democrático, pois os cidadãos que cumprirem os pré-requisitos podem se candidatar. Mas os deputados têm optado por uma escolha política. Entre os manifestantes que abraçaram o prédio do TCE na semana passada, há quem defenda também mandatos limitados para os conselheiros, ao invés do cargo vitalício. A eleição deve acontecer ainda este mês. Resta saber se o clamor que vêm das ruas terá força para sensibilizar os deputados paranaenses.

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