Contam os historiadores que o termo ‘’elefante branco’’ tem origem na Tailândia, quando o rei costumava presentear com um elefante albino os súditos que o desagradavam. Como esses animais eram considerados sagrados, as pessoas que o recebiam poderiam até se sentir honradas no princípio, mas depois descobriam que se tratava de um castigo. O bicho não podia ser recusado, trocado, devolvido e precisava ser tratado até o fim da vida com as honrarias que sua condição sagrada lhe garantia. Com o passar do tempo, a expressão acabou sendo utilizada para tratar das coisas grandes, que não servem para nada, como as tão comuns obras públicas inacabadas.
Pois o elefante branco foi o símbolo escolhido pelos policiais federais para marcar o protesto que começou ontem em todo o País. Um boneco inflável em formato do paquiderme albino foi colocado em frente às superintendências da PF de todo o País, incluindo Curitiba. A mobilização nacional vai durar 48 horas e amanhã os agentes, escrivães e papiloscopistas devem retomar as atividades normalmente.
É a segunda paralisação do ano com o objetivo de chamar a atenção para o que os grevistas chamam de ‘’apagão da PF’’. O grande mamífero inflável representa, segundo o Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, a atual ineficiência do órgão, que consegue transformar em inquéritos somente 4% das denúncias que chegam aos seus delegados. A comparação com o presente real tailandês é obviamente uma crítica ao descaso com que o governo federal vem tratando a corporação. Enquanto ‘’elefante branco’’, a PF não seria uma entidade sagrada tratada com boa comida e enfeites preciosos. Na visão de seus agentes, ela representa os edifícios abandonados, o desleixo, o sucateamento e o abandono à própria sorte. Segundo os manifestantes, esse descaso seria uma forma de represália por conta das operações da PF que atingiram membros do governo e políticos aliados. A categoria pede melhorias na estrutura da corporação, aumento de verbas para investigação, reajuste de salário, entre outros.
Há tempos, os veículos de comunicação vêm noticiando cortes de verba do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) no orçamento da PF e, certamente, o trabalho de campo é o mais prejudicado. A situação da polícia que investiga crimes como tráfico de drogas e de pessoas, desvio de dinheiro público e corrupção é um bom tema para se levar aos debates políticos que vão anteceder as eleições deste ano. É necessário questionar os candidatos a presidente do Brasil qual o futuro que eles pretendem para a Polícia Federal.

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